Câncer de colo de útero pode ser evitado com vacina contra HPV
O câncer de colo de útero, também conhecido como câncer cervical, continua sendo um dos principais desafios da saúde no Brasil, sendo o terceiro mais registrado entre as mulheres no país — atrás dos de mama e colorretal — e o quinto câncer mais diagnosticado em mulheres no mundo. Causada por infecção persistente por tipos oncogênicos do papilomavírus humano (HPV), a doença é transmitida através de uma infecção sexualmente transmissível (IST) comum que pode afetar a pele, a região genital, região anal e garganta.
O ginecologista Martinho Cândido, servidor do Senado, considera a vacina contra o HPV um grande marco da medicina, ao lado das pílulas anticoncepcionais e da penicilina, que garantiram o avanço na autonomia e no cuidado feminino.
– Vacinar uma menina é cuidar da mulher que ela será. Vacinar os meninos também é proteger sua saúde e contribuir para reduzir a circulação do vírus – avaliou, durante a palestra "Um olhar integral para a saúde da mulher", que ocorreu dia 8 de outubro no auditório Antônio Carlos Magalhães, no Senado. O médico ressaltou que o SIS ampliou recentemente a cobertura vacinal e incluiu HPV na tabela.
– Se você tem de 9 a 45 anos, é só levar a carteira ao Sabin ou ao Exame e tomar duas ou três doses, dependendo da faixa etária – convocou.
Segundo o especialista, proteger os jovens na infância e na adolescência, antes da exposição ao vírus, é a prioridade absoluta para frear a circulação do agente infeccioso. De acordo com ele, a vacinação tem como alvo principal meninas nas faixas de 9 a 14 anos por ser altamente eficaz na prevenção de infecções, câncer de colo do útero e outros cânceres relacionados ao vírus.
Evolução
A doença se desenvolve a partir de alterações que evoluem de forma lenta e silenciosa ao longo de vários anos, podendo levar cerca 10 a 20 anos para que células anormais se tornem cancerígenas.
Os sintomas mais evidentes do câncer cervical incluem sangramentos fora do período menstrual, corrimento com odor forte, dor na parte inferior da barriga ou nas costas, pernas inchadas e cansaço intenso. Esse quadro costuma se manifestar completamente apenas quando a doença já se encontra em estágios avançados.
Como o câncer pode ser inicialmente assintomático, o monitoramento preventivo constante torna-se a ferramenta mais eficaz para evitar que as lesões iniciais progridam para quadros malignos mais graves. O diagnóstico precoce é realizado de maneira simples por meio do exame preventivo, o papanicolau, que deve ser feito regularmente por mulheres e, em geral, por quem tem útero.
Reportagem: Paola Montejo/ Supervisão: Milena Galdino