Redução do desconto mensal do saldo devedor foi necessidade levantada em pesquisa do DataSenado
A amortização do saldo devedor passa a ter alíquota menor em agosto: de 5% do vencimento bruto, o desconto passa a ser de até 3% do salário, o que agrada aqueles que têm dívidas altas de coparticipação com o plano. A redução do percentual de cobrança está alinhada ao pedido dos beneficiários que responderam à última pesquisa de opinião feita pelo Data Senado, em novembro de 2025. Nas respostas abertas eles pediram que a alíquota de 5% sobre o salário bruto baixasse ou fosse calculada sobre o valor líquido.
Outro pedido visto na pesquisa e já atendido pelo Conselho foi a aplicação de um teto à cobrança de coparticipação. Desde o primeiro semestre, ao ultrapassar o montante de R$ 150 mil novas adições de coparticipação ficam vedadas até que o saldo seja reduzido pelos pagamentos mensais.
De acordo com a diretora da Secretaria Integrada de Saúde, Daniele Calvano, essas reduções na cobrança do saldo traziam uma margem melhor para os usuários do plano sem comprometer a saúde financeira e contábil do plano.
– Até 2018 o valor das cobranças mensais do saldo era baixo e levava em conta o vínculo de cada um. Acontecia de dívidas de coparticipação ficarem décadas sem quitação e, por consequência, o endividamento dos titulares era muito comum. Como o SIS não faz a correção monetária, esperar tanto tempo para receber era temerário para as contas do plano. Quando passamos para 5% do salário bruto, em 2018, essas dívidas começaram a ser amortizadas num bom prazo, e agora podemos chegar a um meio termo entre a cobrança de 3% do salário e a velocidade da quitação dos saldos – pondera a médica.
Aprovação
A maior parte dos 1.140 participantes avaliou de maneira positiva a prestação direta de cuidados com a saúde. Os laboratórios receberam 96% de aprovação, enquanto médicos e clínicas somaram 92% de satisfação. A pesquisa apontou que 78% avaliam o plano como ótimo ou bom, enquanto apenas 3% classificam o plano como ruim ou péssimo.
Encomendada pela Secretaria de Transparência do Senado Federal ao DataSenado, a pesquisa também sondou a satisfação do público com o atendimento do plano. O atendimento presencialalcançou 91% de aprovação, embora seja a modalidade menos procurada, utilizada por apenas 10% dos entrevistados no último ano. A preferência dos beneficiários é digital: o e-mail concentra 42% dos atendimentos e o WhatsApp, 33% – ferramentas que pontuaram, cada uma, 76% de satisfação (bom e ótimo).
As maiores falhas do plano estão na comunicação, no processamento de reembolsos e na resolução de demandas. No último ano, 18% dos participantes da pesquisa reconheceram ter reclamado do SIS e desses, a metade afirma que a demanda ainda ficou sem solução. Os serviços administrativos ganharam notas baixas: reembolso e participação financeira tiveram apenas 13% de avaliações "ótimo" cada, a proporção mais baixa entre todos os itens pesquisados. Outro ponto crítico nos relatos é a demora no lançamento de despesas no extrato de utilização, um atraso que chega a superar um ano e resulta em cobranças acumuladas e imprevistas no contracheque. Para quem mora fora de Brasília, a maior queixa sobre o Saúde Caixa é a burocracia no acesso a guias e consultas, além da falta de prestadores credenciados em algumas cidades.
Daniele Calvano contou que o SIS está preparando mudanças para trazer os pedidos de reembolso para a Central de Serviços Administrativos, diminuindo o uso do Sigad para esse fim.
– Além disso, novos colaboradores devem ser acrescentados à equipe de atendimento e relacionamento com beneficiários em breve – antecipou.
Perfil
A pesquisa traça o perfil dos usuários do SIS, e revelou que do total de respondentes, 35% têm 66 anos ou mais e 27% têm entre 56 e 65 anos. Aposentados somam 46% dos beneficiários e servidores efetivos representam 31%. O nível de escolaridade dos entrevistados é alto: 82% concluíram o ensino superior ou alguma pós-graduação, entre especialização, mestrado ou doutorado.