Contraceptivo

Entenda como funciona o DIU e conheça a cobertura do SIS
24/07/2026 12h20

As beneficiárias do SIS em idade reprodutiva podem contar com o plano para ter um método contraceptivo eficaz, seguro e sem custos astronômicos.  A cobertura prevê  tanto a inserção quanto a retirada do dispositivo intrauterino, conhecido pela sigla DIU, além das consultas de acompanhamento pós-procedimento.

Maternidade Brasília, Hospital Brasília, clínica Clafe, Clínica de Imagem Samambaia são alguns credenciados da rede com pacotes específicos para o procedimento de DIU com coparticipação de 5%. De acordo com a TabSenado, os honorários médicos para inserção do DIU, tanto hormonal quanto sem hormônios, custa R$215 reais (fora as demais despesas da cirurgia).

O DIU é o método contraceptivo reversível mais usado no mundo. Em 2019 ele já somava 159 milhões de usuárias globalmente, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

Aqui no Brasil a adesão vem aumentando. Em 2019, a Pesquisa Nacional apontou que, entre brasileiras de 15 a 49 anos sexualmente ativas, apenas 4,4% optam pelo DIU, enquanto a pílula anticoncepcional ainda era escolha de 40,6% delas. Já em 2023, ano em que os enfermeiros foram liberados a realizar os implantes, houve um aumento histórico de 44% nas colocações de DIU apenas nos hospitais públicos: o total de inserções atingiu 164,4 mil em 2023, comparado a 114,5 mil em 2022.

 

Funcionamento

O Ministério da Saúde estima a eficácia acima de 99%, índice superior ao da pílula anticoncepcional e equivalente ao da laqueadura. Além disso, o dispositivo pode ser inserido em qualquer momento da vida reprodutiva, inclusive em mulheres que nunca tiveram filhos, desde que a gravidez esteja descartada.

A escolha mais importante é entre dois grandes grupos que diferem quanto ao método: hormonal ou de cobre.

O DIU hormonal é produzido com levonorgestrel e vale por cinco anos. O hormônio reduz drasticamente o fluxo menstrual, levando à ausência de menstruação (amenorreia) em até 60% das usuárias.

O de cobre, assim que é inserido, atua em duas frentes. A primeira é uma pequena inflamação protetora pelo fato de ser detectado como um corpo estranho pelo organismo da mulher. A segunda resposta é a liberação de íons do metal na cavidade do útero, criando efeito espermicida. Na prática, o cobre barra os espermatozóides antes mesmo da fecundação, reduz a mobilidade deles (já que aumenta a concentração de cobre no muco cervical) e altera o movimento das trompas. Ou seja: o caminho do óvulo até o útero fica bloqueado.

Diferente do hormonal, o DIU de cobre tem ação é localizada e mantém a eficácia por até dez anos, sem perda de efeito por interação com outros medicamentos. O DIU de cobre não contém hormônio, não depende de nenhuma ação da usuária para funcionar e não provoca aborto, doença inflamatória pélvica ou infertilidade.

Quando a pessoa decide engravidar, o dispositivo pode ser retirado a qualquer momento, e a gravidez pode ocorrer logo depois da remoção.

Apesar dos benefícios, existem restrições. O DIU é contraindicado para gravidez confirmada ou suspeita; prolapso uterino total; câncer de colo de útero ou de endométrio; sangramentos uterinos sem causa identificada; e alergia ao cobre e distúrbios graves de coagulação.

A colocação de DIU também deve ser evitada até um mês após o parto, ou se houver alguma malformação no útero que impeça o dispositivo de ficar no lugar. Fora isso, o método é livre para qualquer pessoa em idade reprodutiva, o que inclui adolescentes e pessoas soropositivas assintomáticas.

Cobertura

Se o caso exigir a presença de anestesiologista, o procedimento também está coberto pelo plano, seguindo os valores da tabela. A retirada do dispositivo para volta da fertilidade ou troca por ineficácia segue o mesmo padrão da inserção: avaliação médica, cobertura garantida e permite que a beneficiária planeje sua vida reprodutiva sem custos diretos extras, desde que respeitados os critérios do SIS.

 

Reportagem: Ana Jullia Cavalcante/ supervisão: Milena Galdino