Como agir se alguém tem um AVC?

O cardiologista Ivan Penna, do SIS, dá dicas para identificar acidente vascular cerebral (AVC) e prestar socorro sem perder tempo.
18/03/2021 10:43

Por Ivan Penna*

O acidente vascular cerebral – o AVC – popularmente conhecido como “derrame” é a segunda causa de mortalidade no Brasil. Pela frequência com que acontece e por ser inesperado, a grande dúvida das pessoas é como saber identificá-lo e o que fazer para socorrer a vítima de maneira correta.

É importante saber os sintomas comuns do AVC para testar rapidamente a pessoa e informar as equipes de socorro:

· Perda súbita de força em pelo menos um dos membros, com dificuldade para ficar em pé, andar ou segurar objetos. Peça para a pessoa apertar sua mão ou levantar os braços.

· Alterações súbitas da fala – dificuldades para falar, construir palavras ou elaborar frases com sentido. Dificuldade para compreender o que se ouve. Peça para a pessoa repetir uma frase cantando.

· Súbito “entortamento” da musculatura da face, com aparência de “boca torta”, ou face “puxando para um lado”. Desvio fixo do olhar para um dos lados.

· Tontura ou perda do equilíbrio.

· Dor de cabeça muito forte, de início súbito, às vezes descrita como a “pior da vida”.

· Alterações do nível de consciência, com sonolência excessiva e falta de reação.

Tipos de AVC

Pode ser do tipo isquêmico –quando há uma obstrução de alguma artéria cerebral, com morte do tecido neural – ou hemorrágico – que decorre de um sangramento intracraniano espontâneo por ruptura de aneurismas (dilatação anormal de artéria do cérebro) ou lesões vasculares.

Os AVCs isquêmicos (AVCi) são o tipo mais comum, correspondendo a cerca de 80% dos casos. Os fatores de risco para sua ocorrência são, em geral, os mesmos para doenças cardiovasculares: idade, hipertensão arterial sistêmica, tabagismo, diabetes, níveis altos de colesterol, histórico familiar de doença cardiovascular e arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial.

Nesse tipo de derrame, uma artéria cerebral é obstruída por um coágulo, que pode ter origem em alguma placa de gordura (ateroma) local ou vir de outras partes da circulação, como as artérias carótidas ou o próprio coração. Fatores de risco como sedentarismo, obesidade e abuso de álcool também devem ser controlados.

Já o AVC hemorrágico pode decorrer da ruptura de uma anormalidade vascular pré-existente, como um aneurisma ou uma má-formação vascular (MAVs) ou então podem estar relacionados ao sangramento espontâneo de uma artéria em decorrência de hipertensão arterial.

Socorro imediato

O tempo é o principal determinante do sucesso do tratamento do AVC. Essa importância é maior ainda uma vez que esta doença tem extrema letalidade e morbidade. No caso do AVC isquêmico, a janela terapêutica tende a ser extremamente curta, de três a seis horas.

Nesses casos, o tratamento é remover a obstrução arterial por meio de medicamentos que dissolvem o coágulo ou retirá-lo por meio de cateter. Portanto, o ponto fundamental do tratamento é a correta e pronta identificação dos sintomas e acionamento dos serviços de emergência.

No caso do AVCh é de suma importância a neuromonitorização em UTI e a avaliação neurocirúrgica, pois pode ser indicado o tratamento cirúrgico para minimizar os danos e sequelas. Este tratamento também tem o seu tempo correto para ser instituído.

Prevenção

A principal maneira de se evitar o AVC é a prevenção e o tratamento dos fatores de risco. Hábitos de vida saudáveis com controle de peso adequado, prática de atividade física e manutenção de dieta adequada fazem a diferença.

Além disso, fatores de risco como hipertensão e diabetes devem ser sempre identificados em exames de rotina e tratados adequadamente. Indivíduos com histórico familiar de doença cardiovascular precoce e/ou aneurisma cerebral devem fazer uma avaliação detalhada com um especialista.

 

*Ivan Penna é médico cardiologista