Câncer de próstata é o mais frequente em homens

Um dos órgãos mais fundamentais para a geração de vida, a próstata também causa muitas mortes. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de próstata é o mais comum nos homens brasileiros, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma.
04/11/2020 15:10
 Câncer de próstata é o mais frequente em homens

Gustavo Korst

A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz situada entre a uretra e a bexiga. Sua principal função é produzir substâncias que conduzem e nutrem os espermatozóides em seu papel de fertilizar o óvulo feminino.

A uretra passa por dentro da próstata, que produz grande parte do líquido armazenado nas vesículas seminais e de onde é expelido no momento da ejaculação.

Um dos órgãos mais fundamentais para a geração de vida, a próstata também causa muitas mortes. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de próstata é o mais comum nos homens brasileiros, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma, que para fins de estatística é considerado à parte por ser causado basicamente pela exposição exagerada ao sol (no Brasil ele corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos).

O câncer de próstata aparece em mais de 65 mil brasileiros por ano e, em 2018, matou 15,5 mil, segundo o Inca.

As altas taxas são registradas no mundo inteiro. A Sociedade Americana de Câncer estima que, nos Estados Unidos, um em nove homens seja diagnosticado com câncer de próstata ao longo da vida, sendo a maior predominância na população acima de 65 anos e na raça negra. Por outro lado, é um câncer raro em homens abaixo dos 40 anos.

Em novembro, o Congresso Nacional, governos e sociedade civil alertam para a importância do diagnóstico precoce  – ainda o melhor remédio para combater a doença.

O SIS conversou com o urologista e cirurgião Gustavo Korst (foto), servidor do Senado. Veja os principais trechos:

SIS – Quais os sintomas mais observados nos pacientes antes do diagnóstico?

Korst – Os sintomas costumam ser tardios e comuns a outra doença do mesmo órgão e mais frequente, que é a hiperplasia benigna. Tanto ela quanto o câncer apresentam dor e dificuldade para urinar e a sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.

SIS – O exame de próstata deve ser feito todos os anos a partir dos 40?

Korst – Embora controversa, a recomendação é dosar o PSA (Prostate-Specific Antigen, ou antígeno específico da próstata) anualmente em exames de rotina a partir dos 40 anos em homens com história familiar de pai ou irmão com câncer da próstata; ou a partir dos 50 anos nos homens sem sintomas e sem história familiar da doença.

SIS – A medição de PSA é suficiente para saber se o paciente tem o câncer de próstata?

Korst – Não. A medida do PSA no sangue é apenas um dos parâmetros utilizados no intuito de detectar precocemente o câncer da próstata. Serve como um bom indicativo, mas deve ser analisado com outros dados como idade, sintomas, história familiar, etnia, conjunto de outras doenças e antecedentes, exame físico, exames laboratoriais e exames de imagem.

SIS – Então existe uma predisposição genética clara?

Korst – Sim. O principal fator de risco do câncer da próstata é a história familiar em parente de primeiro grau (pai ou irmão). O que preocupa no caso dessa doença é que, mesmo sem história familiar ela pode surgir, sendo diagnosticada em um em cada seis homens brasileiros ao longo da vida e constituindo o câncer mais frequente do homem brasileiro.

SIS – Um câncer de testículo pode ser indicativo de câncer de próstata e vice-versa?

Korst – Não. Inexiste tal relação, sendo inclusive doenças de faixas etárias bem distintas.

SIS - Pessoas com problemas em produção de espermatozóide têm uma predisposição maior ao câncer de próstata?

Korst – Não. Os fatores de risco documentados pela ciência são a história familiar, a idade, a etnia negra e a ingestão de alimentos gordurosos ao longo da vida.

SIS – É possível reduzir o risco de se ter câncer de próstata?

Korst – É muito mais importante se falar em diagnóstico precoce do que em profilaxia, pois os fatores ambientais e comportamentais não têm a importância que existe em outros cânceres ligados a tabaco, álcool, vírus ou substâncias químicas. A alimentação pouco gordurosa e com vegetais variados parece ter um pequeno impacto na prevenção do câncer da próstata, mas infelizmente não se pode chamar de profilaxia.

SIS – O câncer de próstata costuma ser agressivo?

Korst – Varia muito, desde tumores de crescimento lento, pouco agressivos, e que podem simplesmente serem acompanhados em consultas rotineiras com o urologista, até tumores mais agressivos que devem ser tratados com brevidade após o diagnóstico. O médico urologista é o especialista correto para avaliar cada situação e indicar o melhor caminho a ser seguido, para preservar ou recuperar a saúde nesses casos.

SIS – A indicação de retirada da próstata em homens com câncer é um procedimento comum ou é a exceção?

Korst – A prostatectomia radical (retirada da próstata), que pode ser feita por incisão aberta ou através da laparoscopia, é o tratamento mais comumente utilizado para o câncer da próstata. Em alguns casos porém, consideradas as particularidades de cada paciente, suas ansiedades, esperanças, convicções e seus medos, bem como o grau de malignidade da doença, podem ser recomendados, com bom grau de eficácia na cura da doença, a radioterapia conformacional (forma de radioterapia externa com doses precisas de radiação dirigidas por tomografia e miradas por computador) ou a braquiterapia (fragmento de material radioativo implantado dentro e próximo do tumor para sua destruição). As opções devem sempre ser discutidas com o paciente, ponderando prós e contras de cada, estatísticas de cura, complicações e riscos, bem como adequação pessoal a cada método proposto.

SIS – Qual o efeito da retirada da próstata na vida do homem?

Korst – Uma perda inevitável é a da fertilidade, pois não mais haverá ejaculação após a retirada da próstata. Outras complicações temidas são a perda da qualidade da ereção (em graus variáveis) e a incontinência urinária. Essas complicações porém são passíveis de tratamento, com eficácia bem satisfatória atualmente.