Câncer de pele é o tipo mais comum no Brasil

A cada três diagnósticos de câncer no Brasil, pelo menos um é de pele. A incidência do câncer não melanoma entre os brasileiros é tão alta que esse tipo de câncer é por vezes retirado das estatísticas quando a ideia é avaliar a incidência de outros tipos mais letais da doença. Mas afinal, que câncer é esse?
11/12/2020 11:55

A cada três diagnósticos de câncer no Brasil, pelo menos um é de pele. A incidência do câncer não melanoma entre os brasileiros é tão alta que esse tipo de câncer é por vezes retirado das estatísticas quando a ideia é avaliar a incidência de outros tipos mais letais da doença. Mas afinal, que câncer é esse?

A diferença dos dois tipos é, basicamente, onde ele se instala. O câncer melanoma é mais agressivo porque surge nos melanócitos, as células produtoras de melanina, o pigmento que protege a pele dos efeitos nocivos da radiação do sol. Já o não-melanoma, que representa 95% dos casos de câncer de pele, se instala nas camadas mais superficiais da pele. Em ambos os casos, a observação da pessoa sobre  alterações da pele é o principal fator de prevenção.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia criou a regrinha ABCDE para identificar os cânceres melanoma. A sigla é um acróstico para observação daquelas pintas ou manchinhas que aparecem e a gente precisa ficar de olho. Caso sejam assimétricas, com bordas irregulares, com variação de cor na mesma pinta, diâmetro maior de 6mm e apresentem evolução (mudanças) nas características anteriores, é bom marcar consulta com dermatologista.

Já os cânceres não-melanoma se parecem mais com pequenos ferimentos da pele, como lesões rosadas ou vermelhas que demoram a sarar ou crescem devagar; ou manchas e pintas que coçam, sangram, mudam de cor, espessura ou tamanho com o passar do tempo.

Caso apareça essas características, o melhor é procurar sem demora um médico especialista. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) registra, a cada ano, cerca de 185 mil novos casos de câncer de pele no geral. A maioria tem relação direta com a exposição a raios solares danosos – o que num país tropical, litorâneo e agrícola como o Brasil ganha proporções gigantescas. Tanto quem mora nas regiões mais quentes e ensolaradas quanto os trabalhadores rurais são bastante afetados.

O dermatologista Charles Carvalho, servidor lotado no SIS, lembra que é imprescindível o uso correto e frequente de filtros solares com fator de proteção mínimo de 30, tanto para a face quanto para o corpo. Para quem tem acne ou pele oleosa na face, é bom escolher produtos específicos para essa condição.

– Em situações de exposição solar mais intensa, como à beira-mar ou em piscinas, a reaplicação do filtro solar precisa ser a cada 2 ou 3 horas. Além disso, é bom evitar a exposição solar recreativa entre 10h e 15h, quando a intensidade dos raios ultravioleta é maior – aconselha.

Ele critica o ato de ficar exposto ao sol para bronzeamento, já que quando a pele muda de cor ela está, na verdade, respondendo a uma agressão causada pelos raios ultravioleta. Charles Carvalho aconselha o banho de ducha logo após a praia ou piscina para remover a água salgada/clorada o mais breve possível da pele e, em seguida, a aplicação de um hidratante corporal.

Incidência
Mais comum em pessoas com mais de 40 anos, o câncer de pele é mais raro em crianças e na população negra, com exceção dos já portadores de doenças cutâneas. Porém, com a constante exposição dos jovens aos raios solares sem a devida proteção, a média de idade dos pacientes vem caindo. Quem corre mais risco de câncer de pele são as pessoas de pele clara, sensíveis à exposição solar e que têm histórico pessoal ou familiar.