Mesmo em distanciamento é preciso se expor ao sol

Uma dieta rica em vitamina D responde por apenas 20% da necessidade diária do corpo, sendo essencial especialmente para idosos, pessoas institucionalizadas e habitantes de climas temperados. Ao ser ingerida, a vitamina é absorvida pelo intestino. Outro órgão importante do processo é o rim. Os outros 80% da carga de vitamina D vêm da exposição da pele à radiação ultravioleta B.
07/12/2020 16:15

Com o isolamento social por conta da pandemia de covid-19, muita gente se distanciou também do sol. Se por um lado a menor exposição evita  câncer de pele, por outro os níveis de vitamina D, metabolizada especialmente no contato da luz solar com o corpo, podem ter despencado.

A vitamina D é essencial para o equilíbrio de diferentes órgãos e funções do organismo. A endocrinologista Adriana Lofrano, pesquisadora e orientadora do doutorado da Universidade de Brasília, explica que a vitamina D, embora tenha esse nome, é considerada um hormônio.

– A vitamina D não é um comprimido que você toma e faz efeito imediato. Ela precisa ser metabolizada em nosso organismo e ativada para exercer os seus efeitos benéficos sobre a imunidade, sobre o sistema nervoso central, saúde óssea, muscular, entre outros.

Uma dieta rica em vitamina D responde por apenas 20% da necessidade diária do corpo, sendo essencial especialmente para idosos, pessoas institucionalizadas e habitantes de climas temperados. Ao ser ingerida, a vitamina é absorvida pelo intestino. Outro órgão importante do processo é o rim. Os outros 80% da carga de vitamina D vêm da exposição da pele à radiação ultravioleta B. Por isso Adriana ressalta a importância da exposição mínima ao sol para que haja ativação do hormônio no organismo.

Protetor solar

A questão sobre expor a pele ao sol com ou sem protetor solar já colocou médicos de diferentes especialidades em lados opostos. Enquanto endocrinologistas  consideram os benefícios do sol para ativar a vitamina D, dermatologistas são mais cautelosos com a agressividade dos raios num país tão quente e tropical – prova disso é que o câncer de pele não-melanoma ocupa o triste primeiro lugar nos diagnósticos de câncer no Brasil. Diante disso, Adriana recomenda bom-senso na proteção.

– É uma exposição mínima e saudável, não é um bronzeamento. É recomendável  filtro solar nas partes mais sensíveis e expostas, como o rosto, mãos e antebraço. Tomar um pouco de sol todos os dias com pelo menos metade da superfície da pele descoberta é importante até para aqueles que fazem suplementação.

Comprimidos de vitamina D devem ser tomados somente quando necessário e indicado por médico. Embora Adriana ateste a importância da reposição quando necessária, ela adverte: por ser considerada uma vitamina lipossolúvel, substância que se acumula em nosso corpo, não deve ser administrada em excesso. É necessário dosar no sangue e calcular a dose de suplementação que o paciente precisa.

 

Foto da matéria: Dobke Fotos / divulgação