Fungos, larvas e pulgas que pegam no pé

Nem sempre estar descalço é sinal de saúde e de contato benéfico com a natureza. Sem os cuidados necessários, andar com os pés no chão pode virar uma dor de cabeça para quem pega bicho de pé, bicho geográfico e micoses...
31/12/2020 00:00

Nem sempre estar descalço é sinal de saúde e de contato benéfico com a natureza. Sem os cuidados necessários, andar com os pés no chão pode virar uma dor de cabeça para quem pega bicho de pé, bicho geográfico e micoses, por exemplo.

O bicho de pé é, na verdade, por uma pulga, a Tunga penetrans, que causa infecção e lesões principalmente na planta do pé, ao redor das unhas e nos espaços entre os dedos. É um pontinho preto que pode inflamar e causar dor, coceira e vermelhidão. O tratamento do bicho de pé baseia-se na retirada da pulga, que deve ser feita com agulhas estéreis e em local adequado para evitar a contaminação por bactérias. Quando existe um grande número de bichos de pé pelo corpo, recomenda-se o uso de remédios e pomadas.

Outra doença comum do contato do corpo com o solo é o bicho geográfico, causado pelo parasita Ancylostoma braziliense e, menos frequentemente, pelo Ancylostoma caninum. Geralmente os pontos de entrada são os que ficam mais em contato com o chão: pés, mãos, joelhos e nádegas. As larvas atingem a pele humana pelo contato com fezes de animais contaminados (cachorros e gatos, por exemplo) em locais como grama e areia.

A principal característica dessa doença é a coceira e a formação de túneis na pele causada pelo movimento do verme. Além da coceira intensa no local, há inchaço, sensação de algo se mexendo dentro da pele e surgimento de linhas vermelhas por onde o parasita passa. O bicho geográfico é rápido, faz túneis com agilidade e precisa ser parado. O tratamento é feito com pomadas de efeito antiparasitário e antibiótica e, para aliviar a coceira, é recomendado o uso de antialérgicos. Durante a recuperação, deve-se evitar exposição do local ao sol para prevenir manchas futuras.

Por fim, as micoses são causadas por fungos presentes no meio ambiente. Entre os tipos mais comuns de micoses superficiais está a frieira, do fungo denominado dermatófito, que está presente no corpo humano e vive em locais úmidos, como na pele que separa os dedos e unhas dos pés.

Coceira e vermelhidão na região afetada, descamação da pele, ardor local, presença de pequenas bolhas e áreas esbranquiçadas entre os dedos são sinais e sintomas bem característicos da frieira e podem ser vistos a olho nu. No geral, a micose nos pés é tratada por meio de antifúngicos tópicos.

Prevenção

É possível proteger-se de pulgas, larvas e fungos nos pés com o uso de calçados fechados em banheiros públicos, locais com areia e por onde passam animais domésticos, como cães e gatos.

A micose nos pés tem cura e é comum que ela volte a aparecer, principalmente quando as medidas que evitam a proliferação dos fungos não são contínuas. Além do uso de calçados em espaços públicos, é preciso secar bem entre os dedos dos pés antes de calçar os sapatos, usar meias limpas e não compartilhar meias e sapatos.

Foto: Milena Galdino