Cuide do seu cortisol durante a pandemia

Mudanças bruscas de rotina, isolamento social e medo coletivo de uma doença grave fizeram da pandemia de covid-19 um gatilho natural para aumentar a ansiedade das pessoas. Isso se traduz em números nos exames laboratoriais: quanto mais estresse, maior o índice de cortisol no sangue. Ele é um dos hormônios produzido pelo par de glândulas localizadas acima dos rins – conhecidas como adrenais, ou suprarrenais.
22/10/2020 12:25

Mudanças bruscas de rotina, isolamento social e medo coletivo de uma doença grave fizeram da pandemia de covid-19 um gatilho natural para aumentar a ansiedade das pessoas. Isso se traduz em números nos exames laboratoriais: quanto mais estresse, maior o índice de cortisol no sangue. Ele é um dos hormônios produzido pelo par de glândulas localizadas acima dos rins – conhecidas como adrenais, ou suprarrenais.

Com o cérebro, o cortisol controla estresse físico ou emocional, humor, motivação e medo. A maior parte das células do corpo têm receptores de cortisol e aproveitam o hormônio de diferentes maneiras, como, por exemplo, na regulagem da pressão arterial, de algumas áreas do cérebro, no controle da glicose e das inflamações e no ciclo do sono.

De acordo com a endocrinologista Adriana Lofrano, pesquisadora e orientadora do doutorado da Universidade de Brasília, o hormônio trabalha em conjunto com a adrenalina, uma parente próxima também produzida pelas adrenais. A relação entre eles é clara: a descarga de cortisol induz a produção da adrenalina.

Quando a pessoa se vê num perigo iminente, ela sofre uma descarga aguda e imediata de cortisol. Isso é considerado benéfico, porque esse estado de alerta é uma reação fisiológica do corpo em busca da sua segurança e preservação.

– O problema é quando essa descarga de cortisol nas células é prolongada, ou crônica. Ela deixa de ser fisiológica e pontual e passa a ser contínua por uma situação estressante que não se resolve ou que se renova em sentimentos extremos como medo e pavor ou até fome, calor e frio intensos.

Embora Adriana classifique o cortisol como essencial à vida, ela lembra: tudo que é bom em excesso pode estragar. Isso porque os receptores das células de todo o corpo cuja função é metabolizar o cortisol aos poucos rejeitam o excedente  do hormônio. Com as portas das células fechadas, ele passa a transitar em larga escala pela corrente sanguínea.

– É aí que começamos a ver disfunções orgânicas importantes nos órgãos e tecidos que já têm predisposição a algumas doenças, como edemas, osteoporose, eventos cardiovasculares, depressão, crise de ansiedade e outros – exemplifica a médica.

O grande desafio é modular a capacidade de lidar com o stress e controlar seus efeitos pelo corpo. Ou seja, em vez de querer baixar o cortisol no exame de laboratório, o mais importante é desenvolver mecanismos internos que baixam a resposta dos sistemas biológicos ao estresse, tornando os órgãos mais resistentes ao excesso de cortisol.

Cuidados

A boa notícia é que o controle do estresse, a adoção de exercício físico frequente e o sono de qualidade são os maiores aliados de quem precisa regular a superoferta de cortisol.

- Um estilo de vida mais leve é a melhor receita para as glândulas suprarrenais. Conversar com alguém que a gente ama, mesmo que seja computador, ou com máscara e precauções ao ar livre, rir, dançar, ler, pular, correr… é preciso buscar formas de controlar a ansiedade e conseguir relaxar – ensina Adriana Lofrano.

Quer saber mais? Assista aos principais trechos da entrevista com a endocrinologista Adriana Lofrano: