Em 68, Senado reage a morte de estudante

Ricardo Westin | 21/03/2018, 19h15 - ATUALIZADO EM 21/03/2018, 19h56

Há meio século, o Brasil entrava num período conturbado: 1968 se iniciou com a morte de um estudante, vítima de policiais no Rio, assistiu a guerras campais entre manifestantes e forças militares em várias capitais e terminou com a assinatura do AI-5, decreto que permitiu o fechamento do Congresso e a institucionalização da tortura.

— O país começa 1968 como uma ditadura envergonhada, um governo ainda razoavelmente autoritário, e termina como uma ditadura escancarada — diz o historiador Antonio Barbosa, professor da UnB e consultor aposentado do Senado.

O golpe completava quatro anos e o país era comandado pelo marechal Artur da Costa e Silva, o segundo presidente do regime militar.

Quase não se ouviam críticas. Os sindicatos estavam sob o controle do governo. Os grandes rivais dos militares, como Juscelino Kubitschek, João Goulart e Leonel Brizola, haviam sido cassados. Só dois partidos estavam permitidos: o oposicionista MDB e a governista Arena. Nesse ambiente, os estudantes surgiram como a principal voz contestadora. Com passeatas, eles procuravam colocar a sociedade contra a ditadura.

Em termos institucionais, o Senado pouco podia fazer. Na ditadura, estava fora de cogitação aprovar leis contrárias ao interesse dos generais.

No entanto, um reduzido grupo de senadores assumiu a corajosa missão de reagir, usando a tribuna como arma.

Documentos do Arquivo do Senado mostram que Mário Martins (MDB-Guanabara) e Arthur Virgílio (MDB-AM) estiveram entre os senadores que se recusaram a dizer “sim, senhor” e apoiaram o movimento estudantil em 1968.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)