Assentados precisam de condições para trabalhar na terra, alertam convidados de audiência

Da Redação | 08/05/2018, 17h37 - ATUALIZADO EM 08/05/2018, 17h43

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) realizou nesta terça-feira (8) audiência pública para debater a reforma agrária, o processo de assentamentos rurais e a devastação da Floresta Amazônica. Representantes do governo e de assentados defenderam a regularização de terras e assistência para produzirem com preservação ambiental. A iniciativa do debate foi do senador Telmário Mota (PTB-RR).

Segundo a representante do Incra Thaia de Souza, a regularização fundiária e a infraestrutura nos assentamentos contribuem para reduzir os conflitos no campo e para a preservação ambiental. Ela informou que o Incra recebe cada vez menos recursos e defendeu uma agricultura com proteção da floresta.

Também para o presidente da CRA, senador Ivo Cassol (PP-RO), a regularização é importante para os agricultores assentados.

— Não basta só você assentar, mas é dar o documento para que o agricultor possa ter acesso para comprar um trator, para comprar uma vaca de leite. Então, precisa dar condições de estrada, de escola, de posto de saúde.

Ao destacar que a agricultura familiar representa 38% do Produto Interno Bruto (PIB) e emprega quase 75% da mão de obra rural, Mota disse que o pequeno agricultor precisa de condições para ficar no campo.

— Eu não tenho nenhuma dúvida: o homem quando chega na sua terra e tem aquele cheiro gostoso, depois de uma chuva, principalmente, não dúvida nenhuma que você abraça aquilo com o maior amor. Agora, morar lá sem nenhuma condição, Deus me perdoe.

A agricultura familiar produz mais de 70% da alimentação do brasileiro, enquanto os grandes agropecuaristas produzem para exportar, explicou o Secretário de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, Jefferson Coriteac. Ele defende a participação de todos os envolvidos na resolução de conflitos rurais.

— Abrir os diálogos com todos os movimentos sociais, incluo aqueles que não estavam sendo representados, porque eu acho que não é somente feita a representação por um único movimento, por uma única agremiação, tem que ser por várias e todas elas que representam os agricultores familiares.

Também participaram do debate representantes da Contag, Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares; do MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra; e da Comissão Pastoral da Terra.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)