Representantes de bancos explicam à CPI como são calculadas as taxas de cartão de crédito

Da Redação | 30/05/2018, 18h22 - ATUALIZADO EM 01/06/2018, 11h05

A CPI dos Cartões de Crédito ouviu em audiência pública nesta quarta-feira (30) representantes de bancos públicos e privados sobre as taxas de juros cobradas em operações com cartões. A ideia era entender o mercado pela ótica dos emissores de crédito. Segundo o diretor executivo de cartões e meios de pagamento da Caixa Econômica Federal, Márcio Vieira Recalde, as taxas estão menores desde que os bancos adotaram o novo modelo de crédito rotativo e parcelado.

— Garanto que o juro efetivo cobrado tanto no rotativo, quanto no parcelado, está muito distante dos 200%. Quando nós aplicamos isso pela regra de composição de juros desde a data de vencimento da fatura até o pagamento, esses juros são muito inferiores — garantiu.

Já o presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Murilo Portugal, explicou que os juros são compostos por diferentes itens e, por isso, não podem ser reduzidos somente com base na taxa Selic.

— Se a taxa Selic fosse o único componente da taxa final de juros, era razoável esperar essa proporcionalidade, mas ela afeta apenas um dos dois componentes finais de juros, que é a taxa de captação dos bancos. Não afeta diretamente o spread bancário.

O relator da CPI, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) considerou que as taxas cobradas pelos bancos são abusivas.

— O que nos chama a atenção é que a concentração bancária que se verifica no Brasil não é diferente do nível de concentração bancária que ocorre em outros países do mundo. O que não dá para entender é que o Brasil produza práticas de cobranças e spreads bancários e de taxas de juros que alcançam taxas de até 1000% ao ano.

A CPI dos Cartões de Crédito deve fazer mais uma audiência pública antes de apresentar o relatório final.

Da Rádio Senado

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)