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Em sessão de homenagem ao ex-comandante do Exército, Davi diz que Brasil respeita e admira a coerência do general Villas Bôas

O general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas foi comandante do Exército Brasileiro, entre 2015 e janeiro de 2019, e hoje é assessor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Palácio do Planalto. Conta 50 anos dedicados à carreira militar, 14 condecorações nacionais e teve papel preponderante na consolidação da ordem democrática na história recente do país.
12/08/2019 19:50

“Esta homenagem não é, apenas, a um general que orgulha o Exército e cuja lucidez o Brasil respeita e admira. Também não é, apenas, uma sessão de homenagem a um homem que serve de exemplo a centenas de milhares de pessoas, ao lidar com a severidade de uma doença degenerativa, progressiva e incapacitante, mantendo-se digno e altivo”, disse o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (Democratas-AP) ao abrir a sessão especial de homenagem ao general Eduardo Villas Bôas, nesta segunda-feira (12).

O Senado teve uma movimentação incomum para uma segunda-feira, com plenário e galeria lotados. O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão; a procuradora-geral da República, Raquel Dodge; o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Jorge Oliveira, também estiveram presentes. A sessão atendeu ao Requerimento 594/2019, de autoria do senador Chico Rodrigues (Democratas-RR).

O general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas foi comandante do Exército Brasileiro, entre 2015 e janeiro de 2019, e hoje é assessor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Palácio do Planalto. Conta 50 anos dedicados à carreira militar, 14 condecorações nacionais e teve papel preponderante na consolidação da ordem democrática na história recente do país.

Villas Bôas sofre de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença degenerativa, incapacitante e progressiva, razão pela qual, dado o estágio da enfermidade que o acomete, o general participou da sessão em cadeira de rodas e com um tubo de oxigênio que o auxilia na respiração.

“Esta homenagem ao general Villas Bôas é uma oportunidade que nós, senadores e senadoras, temos para expressar o nosso reconhecimento e admiração a esse grande brasileiro. Um ser humano abnegado, esse militar que tanto tem feito por nosso país. O que observamos em Villas Bôas, desde o início, é essa visão de respeito à disciplina; mas nunca uma submissão inconsistente; com a certeza de que, para atender aos interesses da coletividade, uma pessoa precisa abdicar das paixões individuais” – afirmou o presidente do Senado.

Autor do requerimento da sessão especial, o senador Chico Rodrigues explicou a razão da homenagem ao general Villas Bôas.

“É por seu belíssimo trabalho e contribuição de uma vida à nação e às famílias brasileiras e por considerar que se deve ao general Eduardo Villas Bôas, na qualidade de comandante do Exército de nossa nação, a preservação da democracia brasileira, que apresentei o requerimento de realização dessa sessão especial solene a fim de fazer uma homenagem em vida ao nosso querido general Eduardo Villas Bôas”.

Coube a Adriana Villas Bôas, bacharel em Direito e estudante de Psicologia, filha caçula do general, o momento de maior emoção da solenidade. A pedido do pai, ela leu, visivelmente comovida, o texto que escreveu em homenagem ao Dia dos Pais, comemorado no domingo em todo o Brasil.

“Eu, realmente, fui pega de surpresa quando eu estava entrando aqui, e o meu pai na entrada falou: "Filha, lê aquele texto de ontem". Eu sou chorona, gente, e aliás eu já chorei muito aqui, hoje, e eu estava aqui pensando por que é que ele quis que eu lesse esse texto, porque é um texto que eu escrevi, é um texto muito simples, e eu já peço desculpa. É um texto que não tem falas difíceis, não tem uma escrita perfeita, nem fala do futuro do Brasil, mas é um texto que eu escrevi pelo Dia dos Pais, e eu escrevi porque há uma coisa que a gente sempre tentou combater lá em casa, que é a perfeição, que às vezes tentam colocar em cima da gente, da família, e a gente tenta mostrar que a gente não é perfeito. Mas o meu pai é o homem que ensinou os filhos a se amarem através das diferenças, fazendo um ouvir a música do outro. É o pai que nem sempre foi à missa, mas rezou todas as noites junto aos seus filhos. O pai que nem sempre soube colocar em palavras os sentimentos, mas foi afetivo o tempo todo. O pai que não é perfeito e agradece por isso. O pai de 200 mil homens, sendo que cada um teve, para ele, a mesma importância de seus filhos de sangue, tanto assim que já o vi chorando por muitos deles” – disse Adriana, sob palmas do plenário.

Fechando a cerimônia, o general Villas Bôas começou sua fala com uma lição de vida, ao demonstrar o bom humor com o qual lida com as limitações impostas pela doença.

“Inicialmente, peço desculpas por essa voz do além” – brincou, tendo em vista a alteração vocal decorrente da enfermidade.

“Essa cerimônia se constitui na mais alta e representativa honraria que recebi em toda a minha vida, não só pela instituição que me proporciona isso e pelas pessoas que tiveram essa iniciativa, mas também pelas pessoas aqui presentes, já que muitas delas me representam, com elas me identifico e a cada uma fixei hoje o meu olhar” – agradeceu o general Villas Bôas.