Círculo de Conversação “Voto e corrupção: evidências experimentais”

03/07/2023 16h29

A teoria democrática prevê que os políticos corruptos serão sistematicamente eliminados da vida pública através de eleições regulares. Na prática, o persistente sucesso eleitoral dos corruptos ao redor do globo levanta uma paradoxal questão: Por que votamos em corruptos? Em sua tese de doutorado, defendida em novembro de 2019, o autor analisou esse tema a partir de três perspectivas, englobando todos os estágios do processo decisório desde o primeiro contato com a informação até a decisão do voto ou não no corrupto. A metodologia utilizada foi a de survey experimental, em alinhamento com a mais moderna geração de pesquisas na área, com a aplicação de três diferentes experimentos de vinheta, pela internet. 

Alguns resultados apontam que eleitores diferenciam entre a credibilidade da denúncia e punem mais fortemente os candidatos acusados por fontes potencialmente isentas (auditorias federais) do que por fontes interessadas (partidos rivais), bem como respondem mais rigorosamente quando a acusação é reconhecida pelo partido do que quando ela é desqualificada. Ambos os efeitos são mais fortes dentre os mais sofisticados politicamente. Os dados apontam ainda que o viés partidário atua na punição eleitoral e que uma mesma denúncia é julgada como mais ou menos crível a partir da interação entre o partido acusado e a identidade partidária do eleitor. 

Essa ação educacional, então, tratará de um tema vivo, atual e ainda distante de uma solução satisfatória, fato evidenciado pelo baixo impacto eleitoral da corrupção registrado ao redor do mundo, tanto em países em desenvolvimento ou com democracias jovens quanto em países ricos e de longa tradição democrática. A importância do tema é atestada não apenas pela academia, que já documentou fartamente efeitos perversos da corrupção sobre fatores como o desenvolvimento econômico e a própria qualidade e confiança no governo e instituições, como também pelos cidadãos em geral.

Carga horária: 2 horas-aula, de modo remoto pela plataforma Zoom.

Objetivo Geral:

Compreender o paradoxal sucesso eleitoral de candidatos corruptos a partir de evidências experimentais sobre as limitações do voto no combate à corrupção.

Objetivos Específicos:

  • Entender o mecanismo da troca implícita do mecanismo do “rouba, mas faz” no contexto do voto em corruptos no Brasil. 
  • Explicar a dinâmica do endogrupo-exogrupo e raciocínio motivado partidário.
  • Refletir criticamente sobre o impacto da percepção de corrupção generalizada no voto em corruptos, bem como na abstenção eleitoral.

Público-alvo:

  1. Servidores efetivos e comissionados do Congresso Nacional e de outros órgãos públicos; 
  2. Profissionais e estudantes, brasileiros ou estrangeiros, egressos ou não dos cursos do ILB e de instituições parceiras, interessados no tema.

Facilitador:

O facilitador de aprendizagem será o servidor Thiago de Azevedo Barbosa, graduado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2004) e em Ciência Política pela Universidade de Brasília (2006). É mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília (2012) e doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília (2019). Atua como Analista de Processo Legislativo, no Senado Federal, desde 2010. 

Órgão promotor: Instituto Legislativo Brasileiro - Senado Federal (ILB/SF)

Data de realização:

10 de julho, das 10h às 12h.

Inscrições: https://saberes.senado.leg.br/course/view.php?id=2404