IFI atualiza estimativas do hiato do produto e do resultado fiscal estrutural
A Instituição Fiscal Independente (IFI) publicou a atualização das estimativas do hiato do produto e do resultado primário estrutural do governo central, com base nos dados realizados do Produto Interno Bruto (PIB) até o terceiro trimestre de 2025. As séries históricas completas estão disponíveis no site da IFI.
A IFI aponta que o hiato do produto foi estimado em 0,5% no terceiro trimestre de 2025, recuando em relação ao trimestre anterior, quando havia alcançado 1,0%. O resultado indica que a economia brasileira segue operando acima do seu nível potencial, ainda que com sinais de desaceleração da atividade.
Segundo o analista da IFI Rafael Bacciotti, responsável pelas estimativas, “a atividade econômica desacelerou no terceiro trimestre de 2025, com o PIB praticamente estável na comparação com o trimestre imediatamente anterior, após avanços observados no primeiro e no segundo trimestres do ano”. Ainda assim, “a convergência das estimativas da IFI, do Banco Central e do mercado aponta para a permanência de um hiato positivo, sinalizando baixa ociosidade na economia”.
O que é o hiato do produto e para que ele serve
O hiato do produto mede a diferença entre o PIB efetivo e o PIB potencial da economia. Trata-se de uma variável não observável, estimada a partir de diferentes metodologias, e amplamente utilizada na análise de conjuntura macroeconômica.
Como destaca o relatório, “um hiato positivo sinaliza que a economia opera acima de sua tendência, com maior propensão a pressões inflacionárias, enquanto um hiato negativo indica a existência de ociosidade nos fatores de produção”. Por essa razão, o indicador é frequentemente incorporado pelos bancos centrais na calibração da política monetária.
Além disso, o hiato do produto desempenha papel central na avaliação da política fiscal, pois integra o cálculo do resultado primário estrutural, permitindo uma leitura mais precisa da posição fiscal ao isolar os efeitos temporários do ciclo econômico.
Resultado primário estrutural segue negativo no 3º trimestre
A atualização divulgada pela IFI também traz novas estimativas para o resultado primário estrutural do governo central, indicador que busca capturar o esforço fiscal discricionário ao excluir os efeitos do ciclo econômico e de receitas e despesas não recorrentes.
Na comparação interanual, o resultado primário estrutural apresentou melhora, passando de –1,9% do PIB em setembro de 2024 para –0,9% do PIB em setembro de 2025, considerando o acumulado em quatro trimestres. Apesar do avanço, o indicador permanece em terreno deficitário.
De acordo com o estudo, “o resultado primário convencional melhorou na comparação anual, mas parte relevante dessa evolução decorreu do componente não recorrente, enquanto o componente cíclico permaneceu praticamente estável”. Já o resultado estrutural, embora menos negativo, “indica que a posição fiscal subjacente ainda apresenta desequilíbrio”.
Na margem — isto é, entre o segundo e o terceiro trimestres de 2025 —, observou-se deterioração do resultado estrutural, que passou de –0,6% para –0,9% do PIB, refletindo piora nos três componentes da decomposição: cíclico, não recorrente e estrutural.
Séries históricas disponíveis no site da IFI
As estimativas atualizadas do hiato do produto e do resultado primário estrutural fazem parte do Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 108, publicado em janeiro de 2026. As séries históricas completas, os gráficos e a descrição das metodologias utilizadas estão disponíveis para consulta no site da IFI.
Acesse os dados sobre o hiato do produto:
https://www12.senado.leg.br/ifi/dados/estimativas-do-hiato-do-produto-ifi.xlsx