JULGAMENTOS DE FEMINICÍDIO AUMENTAM EM 17%, APONTA CNJ

Os dados consolidados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam um cenário crítico sobre a violência de gênero no Brasil, com 2025 registrando o maior número de feminicídios desde a tipificação do crime em 2015. Este recorde marca um aumento contínuo, superando os 1.458 casos registrados em 2024, consolidando uma média de cerca de quatro mulheres assassinadas por dia. Cenário Alarmante (2025-2026): Recorde em 2025: O Brasil registrou 1.470 feminicídios de janeiro a dezembro de 2025, o maior número da história. Aumento nos Julgamentos: O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) registrou um aumento de 17% no julgamento de casos de feminicídio em 2025, totalizando 15.453 julgamentos. Início de 2026: Dados preliminares de janeiro de 2026 indicam que a tendência de alta se mantém, com estados como Rio Grande do Sul e São Paulo já registrando números elevados. Uso de Armas: A ocorrência de assassinatos de mulheres em vias públicas e crimes cometidos com armas de fogo/brancas mostrou aumento em 2025. Principais Fatores e Características: Local e Agressor: Cerca de 65% dos feminicídios ocorrem dentro da residência da vítima, sendo que companheiros ou ex-companheiros são responsáveis por quase 90% dos crimes. Perfil: Mulheres negras representam 64% das vítimas, e 70% das mulheres assassinadas tinham entre 18 e 44 anos. Contexto de Omissão: Especialistas apontam para o desfinanciamento de políticas de proteção em níveis municipais e estaduais, além da falha na rede de assistência social, saúde e polícia. Educação e Cultura: O feminicídio é o ápice de uma escalada de violência que envolve ciúmes, controle e humilhação, refletindo a cultura de posse e o menosprezo à condição de mulher. Onde buscar ajuda: A denúncia de violência doméstica pode ser feita anonimamente pelo Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou pelo Disque 181
26/02/2026 13h41

A Justiça brasileira julgou, em média, 42 casos de feminicídio por dia em 2025, um aumento de 17% em comparação ao ano anterior. Ao todo, foram 15.453 julgamentos enquadrados na Lei do Feminicídio (13.104/2015), que considera a morte de mulheres por menosprezo ou discriminação à condição de gênero. No ano passado, o Poder Judiciário recebeu 11.883 novos casos, uma média de 32 por dia e um aumento de 16% em relação a 2024.

Os dados são do Painel de Violência contra a Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que traz compilados desde 2020. A ferramenta foi desenvolvida no âmbito do Programa Justiça 4.0, parceria do CNJ com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), e lançada em março de 2025.   

O painel também traz dados detalhados sobre medidas protetivas. Em 2025, a Justiça concedeu 621.202 pedidos, uma média de 70 medidas por hora.

Além disso, o tempo médio entre o início do processo e a emissão da primeira medida protetiva caiu para quatro dias, o menor da série histórica. Em 2020, esse período era de 16 dias.

Para a juíza auxiliar da Presidência do CNJ e supervisora do Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ), Ana Lúcia Andrade de Aguiar, o painel tem papel importante nas ações de prevenção. “Os casos de feminicídio estão cada vez mais evidentes para a sociedade. Os dados consolidados pelo painel são essenciais para promover e orientar a formulação de políticas públicas mais eficazes”, afirma.

A juíza auxiliar da Presidência do CNJ, Suzana Massako Hirama Loreto de Oliveira, destaca o avanço do Judiciário no enfrentamento da violência contra a mulher. “O aumento expressivo no número de julgamentos de feminicídio nos últimos anos reflete a atuação coordenada do sistema de justiça. Mais do que números, esses dados representam o reconhecimento da gravidade do problema e a necessidade de respostas institucionais firmes”, afirma. 

Violência doméstica

Apenas em 2025, o Poder Judiciário recebeu mais de 1 milhão de novos casos de violência doméstica, incluindo crimes previstos na Lei Maria da Penha (que completa 20 anos em 2026) e descumprimento de medidas protetivas.

No mesmo período, a Justiça brasileira julgou, em média, 1.710 casos de violência doméstica por dia. Ao todo, foram 624.429 novos casos no ano passado.

Painel de estatísticas

O Painel Violência contra a Mulher deriva do Painel de Estatísticas do Poder Judiciário, que permite monitorar as principais estatísticas da Justiça brasileira. A ferramenta é atualizada mensalmente conforme a Base Nacional de Dados do Poder Judiciário (DataJud), que centraliza e armazena informações e metadados processuais de todos os processos dos tribunais brasileiros.

Agência CNJ de Notícias