Pancreatite

Dor, inchaço abdominal, boca seca, febre e vômito podem ser sinal de que o órgão está inflamado.
11/10/2022 10:10

O pâncreas produz e secreta enzimas indispensáveis para a digestão e absorção de gorduras e proteínas. Além disso, é responsável pela produção de insulina e glucagon – hormônios que ajudam a regular níveis de açúcares no sangue.

A insulina faz com que as células absorvam a glicose que entra na corrente sanguínea quando nos alimentamos, reduzindo a concentração de açúcar no sangue. Por outro lado, em longos períodos de jejum, o glucagon atua para transformar o estoque de energia do corpo em glicose, o que evita a hipoglicemia, causadora de mal-estar, tontura e confusão mental, entre outros sintomas.

Embora desempenhe funções essenciais, o pâncreas atua de forma discreta e não costuma ser tão lembrado quanto os vizinhos estômago e fígado, por exemplo. Mas é importante estar atento a doenças que podem afetar o funcionamento do órgão, como a inflamação, chamada pancreatite, e o câncer.

– O pâncreas é muito resistente. É preciso que haja o comprometimento de 90% do órgão para que o paciente apresente os sintomas da pancreatite, por exemplo – afirma o médico gastroenterogista Ricardo Jacarandá, do Hospital de Base e do Hospital Universitário de Brasília (HUB).

Em geral, a pancreatite aguda é causada por cálculos formados na vesícula biliar e carregados pela bile de quem consome excessivamente álcool e/ou tem níveis elevados de triglicerídeos (gorduras) – veja o quadro ao lado. Se uma das pedras entope a passagem do fluxo no pâncreas, a pessoa começa a se intoxicar e o órgão começa a inflamar.

Essa condição se manifesta clinicamente por dor abdominal intensa associada a leve edema na região. Outros sintomas podem ser febre, boca seca, inchaço abdominal, náuseas, vômito e problemas intestinais . Para se prevenir, evite alimentos ricos em gordura, visto que ela também favorece a formação de pedras na vesícula, e o consumo de álcool.

Inflamações agudas recorrentes caracterizam a pancreatite crônica, que pode levar à perda progressiva da função pancreática e à diabetes. Nesses casos, além do desequilíbrio nos níveis de açúcar no sangue, os sintomas incluem indigestão e diarréia frequentes, e desnutrição.

Câncer

O câncer de pâncreas é preocupante porque avança de maneira silenciosa e, em razão disso, o diagnóstico costuma ser tardio, com grande chance de metástase. Os principais fatores de risco associados à doença são tabagismo, alcoolismo, diabetes, pancreatite crônica e histórico familiar. Pessoas que se enquadram nesse último caso devem fazer acompanhamento médico como medida de prevenção.

­– Os exames de imagem estão cada vez mais disponíveis, então é comum uma lesão pancreática ser descoberta a partir de uma tomografia ou ressonância que o paciente fez por outro motivo.

Há lesões que podem ser benignas, mas todas precisam ser investigadas – observa o médico.

O médico explica que não há sintomas específicos de câncer de pâncreas, mas são considerados suspeitos casos de pacientes acima de 50 anos de idade que apresentam massa abdominal palpável na região do estômago, icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura e fezes esbranquiçadas.

Para prevenir doenças no pâncreas, vale a recomendação clássica e que contribui para a saúde e bem-estar geral: mantenha um estilo de vida saudável. Isso inclui adotar uma alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos regularmente, não fumar, evitar o consumo de álcool e manter o peso adequado. Em caso de qualquer sintoma suspeito ou alteração no corpo, procure um médico especialista.

Texto: Juliana Costa