Palácio Monroe: meio século de um final trágico
Trinta e seis colunas emolduravam a fachada. Dois pares de leões em mármore Carrara guardavam as duas escadarias de acesso. Dezoito vitrais, o principal com 20 metros quadrados, decoravam o plenário e alas laterais. Seis anjos de bronze, de três metros de altura cada, adornavam o teto central. Uma cúpula de 15 metros de diâmetro revestida em bronze coroava o prédio. Esses elementos dão ideia da grandiosidade do Palácio Monroe.
O imponente edifício projetado para abrigar a representação brasileira na Exposição Universal de Saint Louis de 1904, nos Estados Unidos, foi eleito o mais belo pavilhão. Conforme plano inicial, foi desmontado e reerguido no centro do Rio de Janeiro em 1906. Com três andares e um mezanino, a edificação tinha mais de 2.000 m² de área construída. A estrutura havia sido feita em aço para facilitar a montagem e desmontagem. Telas de arame sustentavam as paredes em massa de cal e óleo de baleia cozido. Parquete de madeira formando desenhos e pedra revestiam o piso do edifício.
Projetado pelo engenheiro militar e coronel do Exército brasileiro Francisco Marcelino de Souza Aguiar (que hoje dá nome ao maior hospital público do município do Rio de Janeiro), o edifício tinha o estilo eclético, muito difundido na época de sua construção, e reunia elementos de vários estilos, entre eles, Neoclássico e Art-Nouveau.
A demolição
Ao longo do tempo, o Palácio Monroe sediou a Câmara dos Deputados e foi a segunda sede do Senado Federal, de 1925 até 1960, quando da transferência da capital para Brasília. Na década de 1970, era chamado de “monstrengo da Cinelândia” em meio à campanha pela modernização da cidade que levou à sua demolição.
O desmonte se estendeu de janeiro a junho de 1976. A empresa responsável pela empreitada teve direito de vender tudo que dali fosse retirado, o que permitiu a dispersão de ornamentos e mobiliário de grande valor histórico e cultural. As peças que resistiram ao desmonte do Palácio Monroe fazem parte do acervo do Museu do Senado. Entre elas, lustres, vitrais e itens de mobiliário.
Hoje, um estacionamento subterrâneo e um chafariz francês em ferro fundido, comprado por dom Pedro II em 1878 e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), ocupam a área onde ficava o Palácio Monroe.