Palácio Conde dos Arcos: sede do Senado do Império à República


Transformado de residência em prédio público, o Palácio Conde dos Arcos é o mais duradouro endereço do Senado na história brasileira   |  08/05/2026

A fachada tem linhas simples e chama atenção pelo ângulo pouco usual que se observa a partir da calçada na rua Moncorvo Filho, no Campo de Santana, centro do Rio de Janeiro. O entra-e-sai do imponente Palácio Conde dos Arcos é essencialmente de estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que ocupa a edificação desde 1938. Para os transeuntes, nenhuma pista da importância história desse endereço, que foi a primeira sede do Senado brasileiro.

O sobrado de quatro andares foi construído em 1819 como residência de Marcos de Noronha e Brito, o Conde dos Arcos, último vice-rei do Brasil. Com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil em 1808, ele havia sido obrigado a desocupar o Palácio do Governo e se mudar para o novo endereço. Após a extinção do cargo, foi governador da Bahia e ministro da Marinha e Ultramar, até retornar a Portugal em 1821.

O imóvel ficou abandonado e, com a outorga da Constituição de 1824, dom Pedro I determinou a compra e adaptação do antigo Solar para sediar o recém-criado Senado. Ao longo dos dois anos de reforma, a cargo de Pedro Alexandre Cravoé, arquiteto oficial do Império, o grande salão foi transformado em plenário, os gabinetes foram acomodados nos antigos quartos e a Secretaria do Senado foi instalada no pavimento inferior. A reinauguração do edifício ocorreu em 6 de maio de 1826.

 

 

Com a Proclamação da República em 1889, o Senado do Império deu lugar ao Senado republicano, mas a sede permaneceu no mesmo endereço. No total, o Palácio Conde dos Arcos testemunhou as transformações políticas e sociais pelas quais o Brasil passou ao longo de 98 anos. Nesse período, os senadores se dedicaram a temas importantes como a estruturação do Estado e o fim gradual do trabalho escravo. O edifício foi palco, por exemplo, da aprovação da Lei do Ventre Livre (1871) e da Lei Áurea. Em 1925, o Senado passou a funcionar no extinto Palácio Monroe, que ficava ali perto, também no centro do Rio de Janeiro.

 

Arquitetura 

Além de ter desempenhado um papel relevante na política, o Palácio Conde dos Arcos também se destaca como exemplo da arquitetura colonial portuguesa com influência neoclássica, refletindo as transformações urbanas entre o final do século XVIII e o século XIX. O edifício apresenta fachada simétrica e simples, com poucas ornamentações.  

Além disso, o palácio incorpora janelas altas, arcadas e um pátio interno, elementos que favorecem a ventilação e a iluminação natural. Construído em pedra e cal, o edifício se distingue pelos amplos salões e pelas escadarias monumentais.