Pesquisa

SIS tem 236 pacientes em assistência domiciliar por doenças como demência, Alzheimer e câncer.
06/08/2026 11h10

A casa tem com cozinha, sala, quartos e banheiros. Mas um canto dela é diferente: tem monitores, fios, cilindro de ar e um paciente acamado. É o chamado home care, que significa “cuidado em casa”. Atualmente, o SIS tem 65 pacientes nessas condições mais específica, mas das cerca de 17 mil vidas atendidas pelo plano, 236 estão em alguma modalidade de assistência domiciliar, que vai desde uma simples injeção intravenal diária à internação monitorada 24 horas. 

Levantamento recente do plano mostra que 76% dos beneficiários em internação domiciliar do SIS têm 80 anos ou mais. Outros 18% estão na faixa de 60 a 79 anos. Ou seja, os dois grandes grupos somam 94% dos pacientes atendidos pelo programa por doenças mais vistas em idosos: demência, sequelas de acidente vascular cerebral (AVC), doença de Alzheimer e Parkinson. Há também as neoplasias (câncer) – que acometem também pacientes mais jovens, entre outras condições.

Essa saúde delicada exige acompanhamento constante, diz Alan Teles, assistente social da Secretaria Integrada de Saúde que visitou vários pacientes na pesquisa sobre home care. Nas casas, o olhar dos assistentes estava tanto no cuidado com os pacientes quanto na dinâmica familiar que envolve a situação.

Alan conta que o ecossistema do SIS reproduz as características vistas na internação domiciliar em geral: o trabalho de cuidado recai, na maioria dos casos, sobre as mulheres da família.

– Em 76% dos casos, os filhos são os principais responsáveis pelo acompanhamento diário dos pacientes e pela interlocução com as equipes de saúde. Mas o vínculo familiar nem sempre garante o suporte necessário – reconhece Alan.

A assistência domiciliar esbarra numa realidade complexa: os núcleos familiares variam na capacidade de sustentar o acompanhamento ao longo do tempo.

De acordo com o assistente social, entre os desafios da família com alguém internado em casa está a manutenção dos empregos – uma vez que o paciente demanda cuidado ininterrupto – e por consequência a dificuldade de manter o cuidado no padrão que a própria família espera.

Complexidade

Em um dos casos, a equipe do SIS recomendou o retorno do paciente ao sistema hospitalar, pela segurança do tratamento e dinâmica familiar.

– Na maioria das vezes, desinternar o paciente e levá-lo para casa é um passo em busca da humanização do tratamento, pois a maioria das pessoas quer estar em casa cercado de quem ama, mas o plano de saúde leva em conta também a capacidade real da família de sustentar esse cuidado como rotina.

Em outra visita, motivada por uma reclamação sobre a empresa de home care, Alan percebeu que o que mais doía no paciente era, na verdade, a falta de alguns filhos. O pai, que na juventude deles era distante, agora sofre na pele o mesmo afastamento.

– O acompanhamento presencial é que revela as camadas mais profundas na relação entre paciente e família. Por isso o plano precisa ir até eles para entender essas particularidades e ajudar de maneira mais integral.

Além dos desafios de interação com a família, o estudo identificou outras oportunidades de aprimoramento no atendimento domiciliar: processos de reembolso e organização do atendimento das empresas credenciadas prestadoras da assistência.

A reclamação recorrente nesse aspecto foi a grande rotatividade de profissionais, uma vez que as prestadoras de serviço contratam cooperativas de técnicos de enfermagem e a destinação de cada profissional varia de acordo com o dia e a disponibilidade eventual da mão-de-obra.

Reportagem: Ana Cavalcante / Supervisão: Milena Galdino