Memórias do golpe: Simon e Figueiró apresentam visões diferentes de 64

Da Redação | 26/03/2014, 21h10 - ATUALIZADO EM 09/01/2020, 17h56

Duas visões diferentes do movimento político-militar que depôs o então presidente da República João Goulart são apresentadas pelos senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Ruben Figueiró (PSDB-MS), em depoimentos que fazem parte da série Memórias do Golpe, que a Agência Senado publica esta semana.

A própria nomenclatura é um ponto de divergência. Ao contrário de Simon, Figueiró diz que no primeiro momento não houve exatamente um golpe.

- Foi um movimento civil baseado na Constituição de 46, que estabelecia determinadas regras para o impeachment do presidente, que foi cumprido – afirma o senador tucano.

Para ele, a expectativa era de que os militares devolveriam o poder aos civis, o que não ocorreu.

- Esse segundo momento é um período negro da história brasileira - reconhece.

Deputado estadual em 1964, Pedro Simon estava com Jango em Porto Alegre enquanto o presidente decidia se resistiria ou não ao golpe de Estado em andamento. Simon lembra que o golpe foi uma surpresa “inclusive para os golpistas”. A tese do senador é a de que a deposição ilegal do presidente foi feita primeiramente pelo Congresso Nacional. Foi a partir desse momento que os militares assumiram o poder.

- Achávamos que eles [os militares] iam ficar cinco anos, mas eles gostaram – afirma.



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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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