Firmeza e capacidade de conciliação foram marcas de Tancredo

Da Redação | 27/03/2014, 20h30 - ATUALIZADO EM 09/01/2020, 17h43

O político do PSD, getulista, era um importante aliando de Jango. A habilidade e a capacidade de conciliação foram atributos que Tancredo Neves demonstrou nos momentos que antecederam o Golpe de 64 e durante o próprio período autoritário. O perfil conciliador não impediu, no entanto, que Tancredo agisse com independência em relação à ditadura dos militares.

Primeiro-ministro durante a breve experiência parlamentarista que se seguiu à renúncia de Jânio Quadros – os outros foram Brochado da Rocha e Hermes Lima -, Tancredo manteve o apoio a Jango e pregou o respeito à Constituição mesmo quando o golpe já se mostrava inevitável. Na eleição de cartas marcadas, que sagrou o primeiro general-presidente, Tancredo Neves foi único parlamentar do PSD a não votar conforme as determinações dos militares.

Estabelecida a Ditadura, Tancredo trabalhou pelo retorno do poder civil. Por vezes considerado excessivamente moderado, o mineiro buscou brechas no regime de exceção. Foi com esse espírito que ocupou mandatos na Câmara até 1978, e no Senado até 1982, sempre pelo MDB.  Com o fim do bipartidarismo, foi um dos fundadores do PP, partido em seguida incorporado pelo PMDB.

A postura conciliadora conferiu a Tancredo certo respeito dos generais, o que lhe valeu, depois da abertura e após a derrota da emenda das diretas, as condições para comandar a transição, entre 1984 e 1985. Eleito presidente da República pelo Colégio Eleitoral, Tancredo Neves faleceu em 21 de abril de 1985, aos 75 anos, depois de uma agonia que mobilizou o país por mais de um mês.



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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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