Filinto Muller serviu a duas ditaduras

Da Redação | 27/03/2014, 20h30 - ATUALIZADO EM 09/01/2020, 17h36

De formação militar, o senador Filinto Muller teve o nome diretamente ligado aos dois períodos ditatoriais do século passado. Depois de participar do movimento tenentista de oposição à República Velha na década de 1920, Filinto Muller voltou à atividade política com o movimento político-militar que levou Getúlio Vargas ao poder em 1930.

Tornou-se um dos principais nomes do novo regime, combatendo a Revolução Constitucionalista de 1932 e, posteriormente, ocupando o cargo de secretário do interventor federal no governo de São Paulo. Em 1933, foi nomeado chefe de Polícia do então Distrito Federal, cargo que ocuparia por 10 anos. Desde então, notabilizou-se por atuar com truculência no combate aos opositores do Estado Novo.

Embora tenha demonstrado simpatias pela Alemanha nazista, Filinto Muller comandou a repressão ao movimento integralista, de orientação fascista. Perdeu prestígio no governo quando o Brasil começou a se aproximar dos Aliados, na Segunda Guerra.

Com o fim do Governo Vargas, Filinto Muller ingressa no PSD. Pelo partido, elegeu-se senador do Mato Grosso em 1947, cargo que ocuparia até 1973. No Senado, desempenhou a função de líder do governo JK. Com a queda de João Goulart, em 1964, aderiu ao Regime Militar e ingressou na Arena. Ocupou a liderança do partido e do governo. Em 1973, assumiu a Presidência da Casa. No mesmo ano, morreu num acidente aéreo em Paris, aos 73 anos de idade.



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