Auro de Moura Andrade, à serviço do Golpe, declarou vaga a Presidência

Da Redação | 27/03/2014, 20h30 - ATUALIZADO EM 09/01/2020, 17h42

Vice-presidente do Senado durante os momentos mais tensos que antecederam o golpe de 64, o paulista Auro de Moura Andrade desempenhou um papel relevante no movimento que depôs João Goulart. O cargo que ocupava correspondia na prática à Presidência do Senado  – função formalmente exercida pelo vice-presidente da República – e foi utilizado para conferir aparência de legalidade ao golpe militar.

Foi Moura Andrade que declarou vaga a Presidência, em 2 de abril de 1964, embora Jango permanecesse em território nacional. Com isso, o deputado Ranieri Mazzilli ocupou a presidência da República interinamente, até que o Congresso, já mutilado pelas primeiras cassações, elegesse Castelo Branco.

Auro de Moura Andrade iniciou a vida pública em São Paulo, em 1947, como deputado estadual pela UDN. Em 1950 elegeu-se deputado federal pelo mesmo partido, do qual se desligou logo em seguida. Nos anos seguintes, esteve no PDC, PTN – pelo qual se elegeu senador –, PTB e PSD.

Em 61, o senador conduziu o Congresso durante a crise ocasionada pela renúncia de Jânio Quadros e ajudou a construir a solução parlamentarista. Assim, foi possível que ele próprio empossasse João Goulart, presidente que ajudaria a depor menos de três anos depois.

Embora tenha sido um político de confiança dos militares, Auro de Moura Andrade apoiou o presidente da Câmara, Adauto Lúcio Cardoso, quando este se negou a aceitar a cassação de seis deputados, em 1966, o que acarretou o fechamento do Congresso por um mês.

O episódio não impediu a permanência de Moura Andrade na Presidência do Senado até 1967. No ano seguinte, licenciou-se do Legislativo para ocupar a embaixada brasileira na Espanha. Deixou o Senado em 1971. Morreu em São Paulo em 30 de maio de 1982, aos 67 anos.



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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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