CPI dos Maus-Tratos: presidente do Santander Cultural defende diversidade

Da Redação | 21/11/2017, 16h16 - ATUALIZADO EM 21/11/2017, 21h08

A CPI dos Maus-Tratos ouviu nesta terça-feira (21) o presidente do Santander Cultural, Marcos Madureira. O Santander Cultural fica em Porto Alegre (RS) e recebeu a mostra Queermuseu — Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, que estaria em cartaz dos dias 15 de agosto e 8 de outubro de 2017, mas foi suspensa no início de setembro depois de protestos.

O presidente da CPI, senador Magno Malta (PR-ES), ressaltou que a mostra foi cancelada após protestos contra a exposição por suposta apologia à pedofilia, à zoofilia e ao abuso sexual de crianças e adolescentes. Daí a razão para a mostra se tornar objeto de interesse da CPI.

Histórico

Marcos Madureira fez um histórico do Santander Cultural e disse que o apoio do banco a manifestações culturais é uma referência na Região Sul. Inaugurado em 2001, o local já recebeu 5 milhões de visitantes e já teve exposições de artistas como Vic Muniz e Picasso. A casa já promoveu mais de 700 shows musicais e mais de 700 aulas gratuitas para a comunidade e também tem trabalhado com programas que apoiam crianças carentes.

Conforme Madureira, as obras expostas na Queermuseu já tinham participado de outras mostras e nunca tinham suscitado polêmica. Ele acrescentou que o Santander Cultural prima pela diversidade e pelo respeito às minorias. Madureira também disse que a escolha das obras cabe ao curador — no caso o doutor em História Gaudêncio Fidelis —, mas fez questão de afirmar que não compactua com a visão que foi passada sobre a exposição.

— Nós respeitamos a diversidade, pois isso é uma riqueza do nosso país, que acolhe todos os credos, raças e gostos — declarou.

Madureira ainda lamentou a atitude agressiva de visitantes contrários à mostra, que divulgaram, segundo ele, uma visão distorcida da exposição. Diante da repercussão, inclusive com ameaças físicas às obras e aos artistas, o espaço decidiu pela antecipação do encerramento da mostra.

Críticas

Para Magno Malta, o Santander deveria ter conhecimento do conteúdo da exposição. Ele criticou a renúncia fiscal do banco em relação à mostra e chegou a questionar se o presidente do espaço levaria as próprias filhas para ver a exposição. Malta também se disse frustrado com o depoimento de Madureira, que seria apenas uma “conversa de bêbado com delegado”.

— Eu fico admirado que quem tem vários programas a favor da criança não tenha prestado atenção nas imagens da exposição. Eu sei que o senhor não levaria suas filhas para ver a mostra — declarou o senador.

Reunião reservada

Na mesma reunião, a CPI também ouviu Sérgio Rial. Ele era o presidente do Santander Cultural quando a mostra foi autorizada. A oitiva de Rial, no entanto, ocorreu de forma reservada, sem acompanhamento da imprensa.

Autorizada a funcionar até o dia 22 de dezembro, a CPI foi criada para investigar as irregularidades e os crimes relacionados aos maus-tratos contra crianças e adolescentes. A CPI tem como relator o senador José Medeiros (Pode-MT).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)