Senadores apontam votações prioritárias para 2017

Soraya Mendanha | 02/02/2017, 19h05 - ATUALIZADO EM 07/02/2017, 08h31

Na abertura do ano legislativo, os senadores destacaram o que consideram prioridade na pauta de votações de 2017. De acordo com o líder do governo no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), o Congresso deve tratar das grandes reformas para que o Brasil possa superar a crise que está atravessando. Para o senador, a principal reforma será da Previdência, que deve chegar ao Senado ainda este semestre. A PEC 287/2016, como nomeada na Câmara dos Deputados, já foi aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania daquela Casa precisará passar por uma comissão especial antes da deliberação do Plenário para então ser enviada ao Senado.

Aloysio Nunes Ferreira também afirmou que, já na próxima semana, o Senado deve votar em Plenário a MP que alterou regras da EBC (MPV 744/2016), que vence agora em fevereiro. Segundo ele, a medida é importante porque tornar eficiente a empresa que, a seu ver, está “inchada e custando muito dinheiro”. Em seguida, os senadores devem apreciar a do Ensino Médio (MPV 746/2016).

Outras matérias listadas por Aloysio Nunes Ferreira como prontas para apreciação dos senadores neste início de trabalho foram a Lei de Telecomunicações (PLC 79/2016), que foi aprovada, mas tem sua tramitação no Senado questionada na Justiça; o projeto (PLS) 146/2007, que permite a digitalização de documentos oficiais (“que custam uma fortuna para serem mantidos como papel em arquivos”); o projeto da Lei da Terceirização  (PLC 30/2015) que, segundo ele, criará um estatuto jurídico claro para melhorar a situação de milhões de trabalhadores brasileiros terceirizados, a PEC do Efeito Cascata (PEC 62/2015), que extingue a vinculação automática entre salários de autoridades, e o projeto de securitização das dívidas (PLS 204/2016).

— São projetos que já estão na pauta hoje, matérias para começar o jogo — afirmou.

Recuperação da economia

Para Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), vice-presidente do Senado, o principal desafio do Parlamento é votar uma agenda de recuperação da economia para que o Brasil controle seu endividamento, diminua a taxa de juros e crie um ambiente de estabilidade e confiança que permita a retomada de investimentos.

— O consumo só não traz desenvolvimento. Só há desenvolvimento com investimento e é o investimento que traz o emprego — disse.

Na mesma linha, a senadora Ana Amélia (PP-RS), ressaltou que o Congresso tem como desafio e responsabilidade para 2017 a tomada de decisões voltadas ao crescimento econômico e o combate à corrupção. As dez medidas de combate à corrupção, a lei do abuso de autoridade e a Medida Provisória 751/2016, que criou o Cartão Reforma com o objetivo de subsidiar a aquisição de materiais de construção destinados à reforma, à ampliação ou à conclusão de imóveis de famílias de baixa renda.

— Espero que com essas pequenas iniciativas a política econômica vá voltando ao curso para gente aliviar também o nível de desemprego, que está muito alto em nosso país — destacou.

Reforma da Previdência

O senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) disse que unificar as regras de aposentadoria é uma necessidade, porque o déficit da Previdência está crescendo e a população está envelhecendo. Para o senador, na medida em que os anos passam, se essa reforma não tiver a amplitude desejada, o déficit vai crescer ainda mais.

— Não dá pra negociar a idade mínima de 65 anos, algo que não deixa de ser polêmico, mas que eu já defendia quando ministro — afirmou.

O senador Dário Berger (PMDB-SC) apontou a reforma da Previdência como basilar para o país voltar ao crescimento econômico e a um estado de bem-estar social. Dário Berger admitiu, porém, que será difícil aprovar a proposta da forma como o governo enviou para o Congresso Nacional.

— Precisamos encontrar uma forma criativa e inteligente para um equilíbrio entre a idade e a contribuição, para um sistema mais justo e adequado para os brasileiros e brasileiras — afirmou.

Cássio Cunha Lima disse ter expectativa de que a reforma da Previdência seja votada ainda no primeiro semestre.

— Há tempo suficiente para que nós possamos fazer um debate amplo — disse.

O senador Benedito de Lira (PP-AL) defendeu a reforma da Previdência e a reforma do ensino médio. O líder do PP ressaltou que o projeto da Previdência é "dolorido, porém necessário". Segundo ele, se o país não realizar a reforma, no futuro não existirá Previdência Social. Sobre a reforma do ensino médio, Benedito defendeu um magistério bem pago e a livre escolha pelos estudantes das disciplinas que desejam estudar.

— A população vai ser chamada para ser discutir conosco as matérias mais polêmicas e ela haverá de compreender que a necessidade é agora ou jamais acontecerá — disse.

Eleições

Para os senadores Waldemir Moka (PMDB-MS) e Raimundo Lira (PMDB-PB), as eleições de Eunício Oliveira (PMDB-CE) para a Presidência do Senado e de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a da Câmara fortalecem a base do governo no Congresso e contribuirão para que as reformas possam ser apreciadas de forma continuada nas duas Casas.

Moka afirmou que essa continuidade é necessária para que o Congresso possa votar as reformas importantes para o país como a trabalhista e a previdenciária. Para Lira, isso é importante porque, segundo especialistas, a recessão deve ser controlada até o final do ano e o Brasil precisa de medidas que assegurem a sua entrada em um círculo virtuoso.

O senador Edison Lobão (PMDB-MA) destacou ainda que 2017 será um ano muito intenso, pelo fato de que em 2018 o país já estará voltado para as eleições gerais.

— Portanto temos que aproveitar 2017, este ano que estamos vivenciando, para que as realizações nacionais se façam — ressaltou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)