Lindbergh critica corte de PIS/Cofins e aponta 150% de lucro no preço dos combustíveis

Da Redação | 30/05/2018, 16h39 - ATUALIZADO EM 30/05/2018, 17h50

Em pronunciamento nesta quarta-feira (30), o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que a aprovação do projeto de lei da Câmara que zera até o final de 2018 a cobrança de PIS/Cofins sobre o óleo diesel não vai resolver a crise de abastecimento. Além de observar que a proposta não contempla a gasolina e o gás de cozinha, Lindbergh salientou que a população mais pobre será prejudicada com o corte da arrecadação, cujos recursos são destinados à saúde e à Seguridade Social. O PLC 52/2018 foi aprovado pelo Senado na terça (29) e encaminhado à sanção presidencial.

— O que houve ontem aqui é uma vergonha, estão querendo enganar o povo brasileiro. Não vai resolver nada da crise, porque a gasolina está fora, botijão de gás está fora, e eu quero ver repassarem esse desconto para a bomba, no caso do diesel. O que tem aí é uma máfia, e esse governo do Temer chefia essa máfia. É um escândalo, bando de cabra safado, aproveitaram uma greve legítima dos caminhoneiros para aumentar o lucro deles, é isso que está acontecendo — afirmou.

Lucro de 150%

Lindbergh citou estudo do consultor legislativo da Câmara, Paulo César Lima, segundo o qual o lucro da Petrobras sobre o diesel, gasolina e gás é de 150%. Esse percentual poderia ser menor, mas não é reduzido devido a “interesses poderosos, acionistas da Petrobras, gente que tem ação na Bolsa de Valores de Nova York e, mais grave, são os importadores de diesel”, disse o senador.

— Hoje o preço do diesel está 50% acima da cotação internacional. Ele beneficia quem? As importadoras. Nós temos 20 importadoras de diesel no Brasil. Em dois anos passamos para 400, porque é o maior negócio do mundo. Eles estão comprando nos Estados Unidos, a importação subiu de 41% para 82%, e vendendo aqui com preço altíssimo. E o que o governo fez e os senadores aqui aprovaram? Subvenção a esse pessoal. Vão tirar dinheiro do Orçamento para subvencionar importadores de diesel, os três maiores, Ipiranga, Shell e Cosan. Eles estão conseguindo ganhar dinheiro no meio dessa crise — afirmou.

Reajustes

Lindbergh cobrou mudanças na política de preços da Petrobras, e disse que já houve 230 reajustes da gasolina desde o início do governo Temer, no final de agosto de 2016, contra oito aumentos do combustível nos oito anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

O senador afirmou ainda que a Petrobras não registrou prejuízo em razão da política de preços adotada entre 2003 e 2010, mas devido à queda na cotação internacional do dólar no período.

— Lula e Dilma seguraram o preço do botijão de gás? Seguraram, porque tinham que segurar. Nós estamos falando dos mais pobres, que estão voltando a cozinhar com o fogão a lenha. Seguraram, mas a Petrobras não teve prejuízo. Talvez eles não tenham gostado porque os acionistas da Petrobras não ganharam tanto dinheiro — afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)