CPI do Crime vota convite aos ministros do STF Toffoli e Moraes
Da Agência Senado | 13/02/2026, 12h31 - ATUALIZADO EM 13/02/2026, 16h40
A CPI do Crime Organizado volta a se reunir após o carnaval e pode votar uma série de requerimentos relacionados ao Banco Master, entre eles convite aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antonio Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A reunião deliberativa está marcada para quarta-feira, dia 25 de fevereiro. Antes de votar os pedidos, os senadores devem ouvir o ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias.
Além do convite aos ministros do STF, os parlamentares podem votar a convocação de parentes dos dois magistrados. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) quer ouvir a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o parlamentar, ela manteve contrato de prestação de serviços de “elevado valor econômico” com o Banco Master.
Também há requerimentos de convocação para dois irmãos de Dias Toffoli. José Eugênio e José Carlos são sócios do ministro em uma empresa que vendeu a fundos ligados ao Banco Master a participação em um resort no Paraná. Toffoli era relator do inquérito no STF sobre fraudes financeiras no Master. Ele deixou a relatoria na última quinta-feira (12) e foi substituído pelo ministro André Mendonça.
A CPI do Crime Organizado também pode votar requerimentos de convite para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Outro convite é para o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, contratado para atuar no conselho consultivo do Banco Master.
Resort no Paraná
A CPI pode analisar ainda a convocação do advogado Paulo Humberto Barbosa (REQ 141) e Mario Umberto Degani (REQ 142), primo de Toffoli. A intenção é aprofundar as investigações sobre as transações envolvendo o Tayayá Resort com o envolvimento dos donos do Banco Master e os familiares do ministro Dias Toffoli.
Degani foi o fundador do Tayayá, em 1999, e teve os irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli como acionistas através de uma empresa de participações junto dos fundos ligados ao Master.
Sócios e ex-CEO
Entre os pedidos de convocação ainda estão o do ex-CEO e sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima (REQ 121), do superintendente-executivo de Tesouraria, Alberto Félix de Oliveira Neto (REQ 123), do controlador da instituição, Daniel Vorcaro (REQ 124) e do ex-diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia Luiz Antônio Bull (REQ 125).
Também constam requerimentos para convocação de Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio da instituição (REQ 126). Esses pedidos foram apresentados pelos senadores Eduardo Girão e Marcos do Val (Podemos-ES).
Eles justificam a convocação lembrando que A Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, identificou que estruturas financeiras ligadas a Daniel Vorcaro e seus sócios teriam sido usadas para lavagem de dinheiro da facção criminosa conhecida como PCC, por meio de empresas de fachada, contratos artificiais e triangulações com operadores da Faria Lima, incluindo transações envolvendo o Clube Atlético-MG. Esses elementos, segundo os senadores, poderiam estar conectados à atuação do crime organizado no sistema financeiro nacional.
“O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, detém 20,2% das ações da SAF do Atlético de Minas Gerais. A participação foi adquirida por meio do FIP Galo Forte, com cerca de R$ 300 milhões investidos entre 2023 e 2024. A origem desses recursos já era alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo, no desdobramento da operação Carbono Oculto, que apura possível lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligados ao PCC”, diz Marcos do Val no requerimento.
Sigilos
Além das convocações, há pedido para que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) envie Relatório de Inteligência Financeira (RIF) e que seja autorizada a transferência dos sigilos do Banco Master S.A., referentes ao período de 1º de janeiro de 2022 a 29 de janeiro de 2026 (REQ 155). A pauta também inclui requerimento para que a Diretoria-Geral do Senado envie informações sobre registros de entrada e saída de Augusto Ferreira Lima nas dependências da Casa (REQ 157).
Ainda na linha de investigação patrimonial e financeira, há requerimento à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para envio de informações sobre ativos aeronáuticos vinculados a Daniel Vorcaro, à empresa Viking Participações S.A. e ao Banco Master S.A. (REQ 175)
Depoimento de TH Joias
A reunião da CPI prevê oitiva do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. A convocação atende ao requerimento (REQ 104/2025) do relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Ele justificou a presença do ex-deputado à comissão para contribuir com “um diagnóstico fidedigno” da ameaça representada pela infiltração do crime organizado no poder público.
TH Joias foi indiciado pela Polícia Federal do Rio de Janeiro por crimes graves ligados a facções. Ele foi preso em setembro de 2025 acusado de intermediar a compra e venda de armas para o Comando Vermelho, além de diversas ações de favorecimento à organização criminosa.
“O suposto uso de um negócio legítimo, como o comércio de joias, para lavar e movimentar milhões em nome dessas facções, é um ponto de interesse central para esta CPI”, argumenta o relator.
Erramos: esta reportagem foi corrigida para esclarecer que não houve requerimento de convocação ao ministro do STF Dias Toffoli, e sim a seus irmãos José Carlos Dias Toffoli e José Eugenio Dias Toffoli.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
MAIS NOTÍCIAS SOBRE: