Atuação de psicólogos nas escolas é alternativa contra o bullying, dizem participantes de audiência

Sergio Vieira | 06/12/2017, 16h33 - ATUALIZADO EM 15/12/2017, 11h55

A aprovação do PLC 76/2011, que trata da efetivação da atuação de psicólogos nas escolas, pode ser um caminho para que o sistema educacional adote estratégias efetivas de combate ao bullying. Este foi um dos pontos debatidos em audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

O PLC 76/2011 aguarda inclusão na pauta do Plenário. A presidente da CAS, Marta Suplicy (PMDB-SP), lembra o caráter multidisciplinar da matéria, que permitirá nestes casos a um profissional preparado uma interlocução livre com estudantes, docentes e famílias na busca da superação de situações conflituosas no ambiente escolar.

— É necessária hoje a estruturação de um ambiente que seja de confiança aos estudantes, onde ele possa expressar suas angústias. Uma abordagem multidisciplinar, com um psicólogo em parceria com os demais profissionais, um espaço democrático voltado para a superação das crises — explicou a senadora.

A aprovação do PLC 76/2011 teve o apoio de outros profissionais presentes à audiência, como a psicóloga Angela Branco, da Universidade de Brasília, e o educador Hugo Ferreira, da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Sexualidade

Marta e os demais participantes da audiência também criticaram a atual diretriz do Ministério da Educação, que inclui as temáticas de sexualidade e gênero no âmbito das aulas de religião, na nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Para Marta, retirar as discussões sobre desigualdade de gênero de currículos da BNCC, deslocando-a para as aulas de religião, "é um acinte" e é prejudicial a milhões de estudantes em formação. Para a senadora, o ambiente escolar deve ser encarado como um lócus democrático, um lugar de reflexão onde os estudantes devem ter uma janela na busca da superação de problemas estruturais da sociedade.

Devido à relevância da BNCC no modelo e nos rumos da educação, Marta disse que o Senado não pode ignorar o assunto, devendo aprofundar o nível destas discussões.

Para a procuradora Isabella Bana, autora do livro "Bullying, homofobia e responsabilidade civil das escolas", se a diretriz governamental prevalecer, será reforçado o modelo de uma escola "binária, patriarcal, contra a ampliação dos direitos das mulheres e da comunidade LGBT", o que para ela é um quadro "altamente potencializador do bullying", pois muito da prática é vinculado a visões preconceituosas arraigadas, segundo suas pesquisas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)