'Senado brasileiro não pode interferir na disputa política da Venezuela', dizem senadores

Glauciene Lara (Enviada especial da TV Senado à Venezuela) | 25/06/2015, 11h24 - ATUALIZADO EM 25/06/2015, 19h04

Na chegada a Caracas, às 22h30 de quarta-feira (24), os senadores que integram a segunda missão à Venezuela em duas semanas disseram que o objetivo da visita é ouvir todos os lados e mostrar que o Senado brasileiro não quer interferir na disputa política interna do país vizinho.

—Temos uma avaliação de que a primeira comitiva tinha um objetivo claro de reforçar a oposição. Estamos aqui para ouvir todos os lados. Não cabe a nós, senadores, acirrar qualquer disputa interna — disse a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) a jornalistas brasileiros. A repórter Glauciene Lara, da TV Senado, acompanha a comitiva.

Os senadores foram recebidos pelo embaixador brasileiro na Venezuela, Rui Pereira. Ele não quis comentar o episódio de hostilidade com a comitiva que esteve na Venezuela na semana passada e, assim como na visita anterior, não acompanhou os senadores no trajeto até o hotel.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) defendeu a postura do embaixador.

— Quem conhece de diplomacia sabe que o embaixador brasileiro não deveria estar dentro da van que foi cercada por manifestantes.

Lindbergh anunciou a criação de uma comissão de senadores de oposição e de situação para acompanhar as eleições parlamentares venezuelanas, marcadas para 6 de dezembro.

— Nós não somos black blocs, não viemos interferir nas eleições venezuelanas. não viemos para dar apoio político, mas para informar o Senado da situação. Vamos conversar com todas as tendências — disse o senador Roberto Requião (PMDB-PR).

Agenda

Na agenda prevista para esta quinta-feira (25), às 8h30, os senadores se encontram com o comitê de familiares vítimas das Guarimbas — barricadas montadas durante os protestos do ano passado.

Às 10h30, encontram-se com esposas de líderes de oposição ao governo do presidente Nicolás Maduro, que estão presos.

Às 13h, a comitiva reúne-se com a Mesa de Unidade Democrática, um grupo de partidos de oposição que se formou nas eleições presidenciais de 2006.

Às 15h, o encontro é com o Ministério Público e com a Defensoria Pública. A última atividade da comitiva em Caracas é a visita à Assembleia Nacional, onde os senadores se encontram com o presidente do Legislativo, Diosdado Cabello, e com a ministra de Relações Exteriores, Delcy Rodrigues.

O retorno ao Brasil está previsto para as 17h (18h30, horário de Brasília).

Fronteira

O senador Telmário Mota (PDT-RR) viajou a Caracas com o propósito de melhorar as relações entre o estado de Roraima e a Venezuela, com o qual faz fronteira.

— Tenho a preocupação não só com a situação democrática da Venezuela, mas também com os brasileiros que aqui vivem e aqui buscam seu meio de vida — disse.

Ele pretende entregar uma carta a autoridades venezuelanas, como Diosdado Cabello, e os embaixadores do Brasil e da Venezuela, em que relata casos de violência contra garimpeiros e turistas brasileiros na fronteira e no Caribe venezuelano.

Segundo a carta, "há relatos, inclusive, de arbitrariedades praticadas contra nossos cidadãos por membros da Guarda Nacional e do Exército desse pais". No texto, Telmário também reclama do fechamento da fronteira durante vários dias antes das eleições venezuelanas de 2013, que elegeram Nicolás Maduro. Pede, ainda, acesso à lista de brasileiros detidos na Venezuela e considera a dificuldade de acesso aos nomes como indício de violação aos direitos humanos.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)