Fátima Bezerra lembra os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Da Redação | 10/12/2018, 16h28 - ATUALIZADO EM 10/12/2018, 17h27

No dia que se celebra os 70 anos da assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) afirmou em Plenário, nesta segunda-feira (10), não haver motivos para comemorações no Brasil.

Na opinião dela, a prisão do ex-presidente Lula e seu consequente afastamento do processo eleitoral deste ano é exemplo de ato recente que atentaria contra o documento da Organização das Nações Unidas (ONU). Ela também se manifestou contra projetos em análise no Congresso Nacional que a seu ver são contrários aos direitos humanos. Nesse sentido, Fátima Bezerra mencionou o PLS 272/2016, que associa ao crime de terrorismo as manifestações populares. Para ela, trata-se de uma tentativa de criminalizar os movimentos sociais.

O assassinato de dois integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) é outro exemplo de desrespeito aos direitos humanos no país, disse a senadora. O crime ocorreu no último sábado (8), na Paraíba, lembrou Fátima Bezerra, que cobrou das autoridades a investigação e a identificação dos responsáveis pelas mortes.

A senadora citou números que mostram a dimensão da violência no campo, relacionada à luta de trabalhadores pelo direito à propriedade.

— Segundo a Comissão Pastoral da Terra, que registra dados de conflitos no campo desde 1985, daquele ano até 2017, a CPT registrou nada mais nada menos a ocorrência de 1.438 casos de conflito no campo, deixando 104 vítimas. Desse total de casos, apenas 113 foram julgados, com 31 mandantes de assassinatos e 94 executores condenados. Isso significa que, em apenas, 8% dos casos houve punição — afirmou Fátima Bezerra.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)