Participantes de audiência pública criticam restrições a torcidas organizadas de futebol

Da Redação | 05/09/2018, 19h20 - ATUALIZADO EM 05/09/2018, 20h14

A Comissão Senado do Futuro promoveu audiência pública nesta quarta-feira (5) sobre a situação das torcidas organizadas de futebol. Os debatedores defenderam a importância das torcidas para a "saúde dos clubes" e a economia do esporte, pedindo mais respeito do poder público pelas entidades.

A audiência contou com a participação do presidente da Associação Nacional das Torcidas Organizadas do Brasil (Anatorg), Alex Minduím. Ele criticou com veemência a postura do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), que determinou a realização de partidas com presença apenas da torcida do time mandante

— Gostaria muito que estivesse presente à mesa um dos promotores para expor quais resultados favoráveis do projeto, o que ele trouxe de produtivo para o futebol — afirmou.

Minduím afirmou que as organizadas tocam projetos sociais e realizam um importante trabalho de inserção da juventude da periferia. Para ele, a visão dos torcedores uniformizados como agentes de violência que devem ser punidos e perseguidos não passa de “estereótipo”.

— Há problemas que ocorrem em dias de jogos que não nos agradam, mas dizer que isso é culpa somente das organizadas é uma falácia. Temos denunciado ao longo de quase 20 anos — continuou.

A pesquisadora Heloísa Helena Baldy, doutora em educação física pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também criticou a “caricatura” que se faz dos torcedores organizados. Ela afirmou que a política de torcida única não apenas é injusta com os fãs como também é prejudicial aos clubes.

— A torcida única traz prejuízo ao negócio. Não proporciona a vivência nos estádios que garantirá a formação de novas gerações de torcedores.

A professora defendeu políticas públicas de prevenção da violência que respeitem o torcedor. Quem se somou a essa manifestação foi Wanderley Benevides, consultor de segurança em estádios. Ele atua desde 2013 junto aos órgãos de segurança e às torcidas organizadas e afirmou que o diálogo entre esses atores é fundamental para o sucesso da prevenção.

— Não importa o pensamento de cada um sobre as organizadas. Se ela são uma realidade, todos os envolvidos têm que fazer de tudo para que espetáculo aconteça da melhor maneira possível —destacou ele, que é major aposentado da Polícia Militar do Distrito Federal.

Outra medida executiva comentada durante a audiência foi a atualização do Marco de Segurança no Futebol, um guia de recomendações para as polícias lançado em 2016 pelos ministérios do esporte e da Justiça. Segundo José Silva Júnior, coordenador de Defesa dos Direitos do Torcedor do Ministério do Esporte, existe a intenção de transformar o documento em ferramenta para um planejamento estratégico eficiente.

Segundo uma pesquisa da professora Heloísa Baldy, no ano de 2008 o Brasil tinha 1,8 milhão de torcedores filiados a 204 torcidas organizadas. A maioria dos membros tinha entre 15 e 25 anos, e mais de 80% deles frequentavam estádios toda semana.

O senador Hélio José (Pros-DF), presidente da comissão, afirmou que essas entidades geram 100 mil empregos diretos e 300 mil indiretos em todo o país — isso sem contar a sua importância simbólica.

— Sem torcida não há o espetáculo. A presença de vocês é fundamental — resumiu.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)