Roberto Requião critica PEC de congelamento de gastos públicos

Da Redação e Da Rádio Senado | 18/08/2016, 16h04 - ATUALIZADO EM 18/08/2016, 16h06

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) criticou a proposta de emenda à constituição, apresentada pelo governo interino de Michel Temer, que congela nos próximos vinte anos os gastos públicos, tendo como referência os valores de 2016.

Para o senador, esta medida, considerada pelo governo como a mais importante do ajuste fiscal, mostra o caos político e econômico que se instalou no país por causa da irresponsabilidade dos que querem atender apenas aos interesses do mercado, em detrimento da sociedade.

Roberto Requião explicou que, se a proposta for aprovada e entrar em vigor, mesmo com o aumento e o envelhecimento da população, os gastos e investimentos do governo com saúde, educação, segurança, saneamento básico, moradia, preservação do meio ambiente e justiça, por exemplo, ficarão congelados por duas décadas.

— Se o nosso país fosse o mais desenvolvido do mundo, a proposta já seria um absurdo, porque o ser humano quer sempre melhorar e progredir. mas, com as carências que temos, como esperar por vinte anos? duas gerações para retomar os investimentos em saúde, educação, habitação, saneamento, infraestrutura urbana”.

Roberto Requião lembrou que uma proposição com tal teor jamais foi sugerida em qualquer país e questionou os que comparam o orçamento de um país com os gastos de uma família.

Segundo ele, os governos de todos os países do mundo gastam mais do que arrecadam e isso, longe de ser uma irresponsabilidade, é algo normal e até saudável para a promoção do desenvolvimento das economias.

O senador teme ainda que essa proposta tenha a tramitação acelerada no Congresso Nacional para impedir o debate aprofundado e a tomada de consciência da sociedade sobre o prejuízo que a matéria possa eventualmente trazer para as pessoas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)