Brasil é 2º maior produtor mundial de alimentos geneticamente modificados

Gorette Brandão | 23/05/2017, 10h42

Foi uma empresa dos Estados Unidos que, em 1994, iniciou a entrada do mundo em um novo ciclo da agricultura: a era dos transgênicos. A Calgene, na Califórnia, começou então a comercializar um tomate geneticamente modificado para ser mais resistente e chegar ainda rijo ao consumo.

Desde então, o mercado de transgênicos na agricultura avançou em escala significativa. Em 2016, 28 países plantaram culturas transgênicas e 40 importaram esse tipo de produto agrícola.

Os países produtores ocuparam 185 milhões de hectares com cultivos geneticamente modificados, principalmente soja, milho e algodão. O Brasil respondeu por 49 milhões de hectares — crescimento de 11% em relação ao ano anterior, o mais expressivo entre todos os países. Com essa área, o Brasil ficou atrás apenas dos EUA no ranking global de produtores trangênicos. Os dados são do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA).

Izabela Mendes Carvalho, diretora do Serviço de Monitoramento em Biossegurança de Organismos Geneticamente Modificados, do Ministério da Agricultura, enxerga positivamente os avanços da engenharia genética no setor.

— A biotecnologia é uma importante ferramenta no melhoramento genético. Sua importância será cada vez maior, considerando os grandes desafios que os países vão enfrentar com as mudanças climáticas e a necessidade de produzir quantidades cada vez maiores de alimentos.

Se o Brasil aparece no alto do ranking de plantações transgênicas, está em posição desfavorável em relação às pesquisas. A Embrapa é responsável por uma variedade de soja licenciada para a empresa Monsanto, que atende não mais que 2% do mercado interno de sementes.

Izabela aponta a necessidade de mais esforços para que o país não fique para trás, o que pode deixar os produtores brasileiros cada vez mais nas mãos das multinacionais. No caso da soja, diz ela, o preço das sementes dobrou de valor desde a chegada das variedades transgênicas.

O pesquisador Eduardo Romano, da Embrapa, confirma o avanço da oligopolização do mercado de sementes transgênicas. O setor é dominado em escala global por apenas seis grandes empresas.

 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)