Alunos reconhecem maus-tratos, porém não identificam comoviolência sistemática
Da Redação | 05/05/2015, 12h20
Uma das questões reveladas pela pesquisa Bullying Escolar no Brasil, feita em 2009 pela ONG Plan International, é que, ao serem entrevistados, os alunos não conheciam o termo bullying, mas, ao descrever o ato praticado, eles imediatamente o reconheceram como prática de maus-tratos na escola.
Os questionários foram aplicados entre de outubro e dezembro de 2009 em 25 escolas, sendo 20 da rede pública e 5 da rede privada, convidadas a participar da pesquisa com amostras aleatórias de alunos dos 6º, 7º, 8º e 9º anos, nas cinco regiões do país. Ao todo, 5.168 estudantes responderam à pesquisa.
A maioria (69,4%) afirmou não participar dos maus-tratos aos colegas, porém uma parcela considerável (19,1%) disse ter participado de um ou dois episódios de violência, enquanto 10% dos estudantes pesquisados revelaram praticar o bullying.
O gerente de Estratégia de Programas da Plan International no Brasil, Gabriel Barbosa, explica que, muitas vezes, a prática de certos atos não era percebida pelos alunos como sendo uma violência sistemática e a pesquisa acabou jogando luz sobre o problema. Ele também ressaltou que identificar o bullying foi uma questão importante para implementar os projetos da ONG, que esbarrava na dificuldade de entender o porquê de certos alunos evitarem o ambiente escolar e até desistirem dos estudos.
— Nós escutávamos muito os professores e os alunos que falavam desse problema, de sofrerem violência, muitos tinham medo de frequentar a escola, porque havia coleguinhas que praticavam bullying — relatou.
Ainda de acordo com a pesquisa, os casos de violência sistemática mais frequentes foram os de agressão verbal, por meio de xingamentos, apelidos pejorativos, insultos e ameaças. Para os professores pesquisados, o problema não é notado pelos alunos como inadequado e que pode gerar situações de violência.
— A percepção que os alunos tinham, os professores tinham era de que isso (agressão verbal) não era bullying. E quando você consegue caracterizar como uma violência, então chama a atenção para um problema, que não havia sido identificado — informou.
Barbosa também contou que a pesquisa rendeu frutos e destacou a iniciativa do governo do estado do Maranhão de aprovar uma lei (Lei 9.297, de 17 de novembro de 2010) na qual recomenda às instituições de ensino públicas e particulares incluírem em seus projetos pedagógicos medidas de conscientização, prevenção e enfrentamento ao bullying escolar.
— A gente aprovou em nível estadual, mas também nos municípios. Em Codó, interior do Maranhão, a gente conseguiu aprovar uma lei municipal e tem trabalhos brilhantes de escolas que diminuíram muito a incidência do bullying, gerando bons indicadores, como a queda no número de alunos suspensos por mau comportamento — comemorou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)