Adolescência e o despertar para o exercício da cidadania


Pedro Paulo Ferreira Trindade

Pedro Paulo Ferreira Trindade

Sou o Pedro Paulo Ferreira Trindade. Tenho 18 anos e moro na Cidade do Sol, Natal, no Rio Grande do Norte. Faço o 3º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Professor Luiz Antônio e tive como orientadora para o Concurso de Redação do Senado a professora Regina Maria Rodrigues Andrade de Lima. A professora Regina foi a grande incentivadora para que eu participasse do Concurso de Redação que me classificou para ser um Jovem Senador. Também tive o incentivo dos meus pais, que me fizeram estudar e me mantiveram longe do crime e das drogas.

Na minha sala, quase todos os alunos participaram. De cada uma saiu uma redação e a minha foi a representante da 3º ano-médio e acabou sendo a escolhida da escola. Quase todo mundo da turma estava na perspectiva pelo resultado estadual, e quando saiu a minha classificação, foi aquela chuva de parabéns. A maioria dos professores e funcionários que me conhecem também me parabenizaram. Fiquei ao mesmo tempo com sentimento de modéstia e responsabilidade por ser representante não somente da escola, mas de todo o estado.

Eu pretendo ser professor de matemática e engenheiro elétrico. Gosto muito da frase de Galileu Galilei na qual ele diz “A matemática é o alfabeto com o qual Deus escreveu o universo”. Galileu considerava Deus um matemático. Tenho muita admiração pela filósofa Hipátia de Alexandria, o físico inglês Michael Faraday e o matemático indiano Ramanujan. Porque essas pessoas são exemplos de dedicação à genialidade humana.

Necessariamente, também não precisamos ser gênios para darmos nossa contribuição à comunidade. Separar o lixo para a coleta seletiva, também é uma ação que contribui para o bem-estar social. Participo, desde 2015, da Cientec, promovida pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal. Uma feira de ciências em que a Universidade mostra para a comunidade o que produz de conhecimento, pesquisa e extensão. Um outro evento educacional que participei recentemente foi o IPPOG Masterclasses Internacional em Física de Partículas.

Embora não tenha pretensões de atuar na política partidária, acho que a participação de nós jovens na política deve ser a mais ativa possível para que possamos lutar por um futuro melhor, por objetivos que não foram alcançados pelos nossos antepassados, pois a juventude de hoje será sociedade de amanhã e uma mocidade despreocupada com as questões sociais estará fadada ao fracasso, à manutenção de males sociais advindos desde a colonização.

Sou um jovem que gosta de esportes, assistir televisão, ler. Meu livro preferido é “O Menino do Dedo Verde”, de Maurice Druon. O livro conta a estória de Tistu, um menino que tem um dom especial: como em todos os lugares existem sementes, tudo que ele toca com o seu polegar, nascem flores. Assim, ele transforma a vida das pessoas nas favelas, nos hospitais, na cadeia. E, numa guerra, faz os canhões cuspirem flores, e não balas.

Na minha redação, abordei a questão da necessidade de não deixarmos que o seu conteúdo ser transformado em letra morta. Tendo sido chamada de “Constituição Cidadã” por Ulisses Guimarães, quando de sua promulgação, será que a nossa Constituição é realmente “Cidadã?”.

Apesar da Carta Mãe de 1988 ser considerada uma das mais completas e melhores do mundo, o país está entre os mais corruptos, e, por isso, a grande maioria da população não tem acesso aos direitos sociais como educação; ou se tem, é sem qualidade e, por não terem oportunidade através do saber, milhares de pessoas, jovens na maioria, vislumbram a partir do crime o atendimento de necessidades impostas pelo lado mais malévolo do capitalismo, no qual os bens materiais e o capital valem mais que uma vida. Ou ficam sem perspectiva de vida e veem-se submetidos a trabalhos insalubre e/ou sem a carteira assinada. Dessa forma, o artigo 5º que diz: “Todos são iguais perante a lei (...)” parece ser uma utopia.

Para o filósofo grego Aristóteles, a virtude é um hábito, e a partir deste pensamento podemos inferir que não adianta termos uma Constituição tida como virtuosa se é posta parcialmente em pratica, porque o que vai fazer a Constituição ser cidadã não é a denominação, é pô-la em ação efetivamente, senão continuará sendo um conjunto de folhas cheias de palavras.

Este sou eu. Um potiguar. Um nordestino. Um Jovem Senador.

Escola Estadual Professor Luis Antônio
Diretor:
Márcio Lemos do Nascimento
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