Em discurso de despedida, Requião alerta para risco de retrocesso na democracia

Da Redação | 11/12/2018, 20h34

Ao se despedir da Casa, nesta terça-feira (11), o senador Roberto Requião (MDB-PR) manifestou da tribuna sua preocupação quanto aos rumos que o Brasil seguirá no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro. Na avaliação de Requião, a aliança anunciada entre militares e representantes do capital financeiro de orientação ultraliberal, os quais comporão o futuro governo, acarretará prejuízos inevitáveis à democracia brasileira, inclusive podendo levar à “repressão e massacre” de setores que venham a se opor ao governo.

— Daí que, ainda mais uma vez, manifesto a minha estupefação por ver as Forças Armadas metidas nessa cumbuca. É um envolvimento perigoso. E não me venham com essa conversa mole de que são alguns militares da reserva que farão parte do chamado núcleo duro do próximo governo e não a instituição. Balela, é a instituição, toda ela, contaminada pela política. A política invadiu os quartéis. Ou o general Villas Bôas vai dizer, como [o ex-juiz federal] Sérgio Moro, que os militares, no governo, são técnicos? — declarou.

Para Requião, as chances de sucesso do novo governo são pequenas em razão de sua orientação pró-mercado.

— O que teremos, como tudo indica, é um governo para o mercado, ao invés de um governo apesar do mercado. E governo para mercado significa necessariamente um governo antinacional, antidemocrático, antipovo e, por isso mesmo, um governo corrupto, já que a alma, a essência do neoliberalismo é venal, degenerada, ímproba. Não sabia disso, Juiz Moro? Não sabia até agora? — acrescentou.

Mais médicos

No início do discurso, Requião lamentou ainda a decisão de Jair Bolsonaro de extinguir o Programa Mais Médicos. Ele classificou como “extemporânea a iniciativa", sobretudo por afetar um dos setores que atualmente mais demandam "atenção estatal", que é a saúde público.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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