José Pimentel diz que a prisão de Lula é resultado de grande articulação para prejudicá-lo

Carlos Penna Brescianini | 11/04/2018, 20h19 - ATUALIZADO EM 12/04/2018, 15h26

 

O senador José Pimentel (PT-CE) afirmou nesta quarta-feira (11) que a prisão do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva tem relação direta com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, como uma grande articulação para prejudicar Lula e o PT.

Pimentel afirmou ainda que Lula, condenado e preso por corrupção e lavagem de dinheiro, não teve direito pleno de defesa e que uma comissão de senadores de vários partidos deverá visitá-lo em Curitiba, “com os gastos pagos pelos próprios bolsos”. O senador disse não concordar com o isolamento a que o ex-presidente estaria sendo submetido, por não ter direito a receber visitas livremente.

Para ele, a postura do senador Aécio Neves (PSDB-MG) de não reconhecer a vitória de Dilma em 2014 colaborou para a crise política. Pimentel declarou em Plenário desde o momento em que não reconheceu os resultados, Aécio, derrotado no segundo turno na disputa pela Presidência da República, procurou afastar Dilma do poder.

O senador também lembrou que o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje também preso no âmbito da Operação Lava Jato, tentou chantagear Dilma para que a bancada do governo não votasse pela autorização de processo no Conselho de Ética da Câmara. Como Dilma não teria cedido, imediatamente Cunha aceitou o pedido de abertura do processo de impeachment na Câmara, sempre apoiado pelos tucanos.

Além disso, o senador criticou a política econômica do governo de Michel Temer, que seria responsável por retirar o Brasil do posto de sexta economia mundial. Durante os governos do PT, disse Pimentel, o Brasil retirou mais de 40 milhões de pessoas da linha da pobreza e executava programas como o Ciência Sem Fronteiras, que foi cancelado.

Refis das microempresas

Também nesta quarta-feira, José Pimentel criticou a omissão da Receita Federal em relação à renegociação das dívidas das microempresas. A lei que estabeleceu o Refis do setor foi promulgada na última sexta-feira (6/4), após a derrubada do veto do presidente Temer, e publicada na segunda-feira (9/11). Mas até hoje não há qualquer informação sobre o processo de adesão ao parcelamento, cujo prazo é de até 90 dias.

Pimentel informou que vai elaborar um documento com todos os questionamentos a serem feitos à Receita Federal e pediu apoio dos demais senadores para exigir que o governo cumpra a decisão do Congresso Nacional.

— Vou construir um conjunto de perguntas para, em seguida, submeter aos nossos pares, aos nossos líderes. Assim, construiremos, por unanimidade, um entendimento para que a Receita Federal possa atender uma deliberação do Congresso Nacional e possamos resolver esse grave problema da omissão da Receita Federal do Brasil — afirmou.

Ele lembrou que, quando foi aprovado o Refis dos grandes devedores, "em 48 horas a Receita Federal estava com a sistemática de adesão, de parcelamento e também de procedimento pronta". Já no caso do Simples Nacional, cinco dias já se passaram e o órgão ainda não se emitiu nenhum comunicado.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)