Representantes do Ibama e do ICMBio apoiam MP que cria fundo de compensação ambiental

Da Redação | 21/03/2018, 20h03 - ATUALIZADO EM 21/03/2018, 20h53

Representantes de órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental defenderam, nesta quarta-feira (21), a aprovação da medida provisória (MP) 809/2017 que cria um fundo para gerir a compensação ambiental. A medida perde a validade em 13 de maio.

A comissão mista responsável pela análise da MP ouviu representantes de entidades ligadas ao meio ambiente, entre elas, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A medida editada pelo Executivo autoriza o Instituto Chico Mendes a selecionar um banco público para criar e gerir o fundo de recursos arrecadados com a compensação ambiental, uma espécie de indenização pelo desmatamento.

Esse mecanismo está previsto na lei que cria o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Lei do SNUC 9.985/2000). São cerca de R$ 1,2 bilhão a serem investidos prioritariamente na regularização fundiária, entre outras áreas. O presidente do ICMBio, Ricardo Soavinski, acredita que a MP “vai destravar e dar maior operacionalidade” à instituição.

— O agente financeiro vai ter de se capacitar para fazer um bom serviço e quem vai aprovar a qualidade e dar a referência de como fazer o trabalho continua sendo do ICMBio — observou Soavinski.

A MP autoriza o banco responsável pela gestão do fundo a desapropriar os imóveis privados indicados pelo ICMBio que estejam na unidade de conservação que recebe os recursos. Na mesma linha, a presidente do Ibama, Suely Araújo, apoiou a iniciativa.

— O banco poderá contratar toda a parte cartorial que hoje é muito pesada. Nenhum órgão tem pessoal suficiente para análise cadastral — disse.

Ela ressaltou que a regularização de terras consome 74% dos recursos da compensação ambiental. Já o deputado Nilton Tatto (PT-SP) criticou esse ponto da MP.

— Duvido que algum banco tenha a expertise para fazer aquilo que está pedindo para o banco fazer. Não tem como pagar uma desapropriação sem olhar toda a cadeia dominial — declarou.

Em resposta, o presidente do ICMBio explicou que a instituição já trabalha em parceria com empresas privadas em alguns estudos técnicos necessários à regularização fundiária. É o caso do estudo de cadeia dominial, mencionada pelo deputado, que traça uma relação cronológica de todos os proprietários do imóvel rural.

O relator, senador Jorge Viana (PT-AC), afirmou que a ideia é votar a MP o mais breve possível e se comprometeu a apresentar seu parecer no dia 3 de abril. Ele elogiou a abertura para a contratação de empregados temporários, estabelecida pela MP.

— Praticamente todos os 12 postos avançados da Funai de proteção de índios isolados na Amazônia estão fechados — disse.

Pelo texto, o Ibama e o ICMBio ficam autorizados a contratar pessoal por tempo determinado, não superior a um ano, para algumas atividades, entre elas, a prevenção, controle e combate a incêndios florestais.

Com a Agência Câmara Notícias

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)