Assistência psicológica obrigatória a atleta profissional deverá ser votada em comissão

Da Redação | 30/01/2017, 09h40 - ATUALIZADO EM 30/01/2017, 12h52

Relatório da senadora Ângela Portela (PT-RR) apresentado à Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) recomenda a aprovação do projeto do ex-senador Marcelo Crivella que torna obrigatória a prestação de assistência psicológica continuada aos atletas profissionais (PLS 13/2012).

Pelo texto, que altera a chamada Lei Pelé (Lei 9.615/1998), a assistência será de responsabilidade do clube ao qual o atleta estiver vinculado por contrato profissional.

Como a proposta receberá decisão terminativa na CE, poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados em caso de aprovação e se não for apresentado recurso para votação do texto pelo Plenário do Senado.

Integridade psicológica

Na justificativa do projeto, Crivella faz alerta para as fortes pressões por constantes bons resultados a que são submetidos os atletas de alto rendimento, nas mais diversas modalidades desportivas. Essa situação, afirmou, provoca em vários casos o abuso no uso de drogas e álcool como uma "válvula de escape" para esses profissionais.

Crivella o caso do ex-jogador de futebol Sócrates, que disputou duas Copas do Mundo pela seleção brasileira (1982 e 1986), e que faleceu em 2012 por complicações decorrentes do abuso de álcool. O ex-senador lembrou que Sócrates em diversas declarações à imprensa admitiu ter adquirido a dependência química por sofrer de ansiedade decorrente do ambiente esportivo.

Para o autor da proposta, a obrigação da prestação de assistência psicológica aos atletas beneficiará toda a cadeia esportiva no Brasil, incluindo familiares dos próprios atletas, os clubes e as empresas que investem no setor.

Cobrança

Em seu relatório, a senadora Ângela Portela lembra que sempre que uma equipe ou atleta brasileiro favorito em alguma grande competição acaba não tendo o desempenho esperado tornam-se comuns os comentários na mídia e entre os torcedores de que aspectos emocionais teriam contribuído ao insucesso.

"Nessas ocasiões, sempre se fala sobre a necessidade de preparação psicológica dos atletas para lidar com situações de tensão. Mas até agora não se tem notícia de que tal orientação tenha se tornado prática corrente", afirma.

Antes de chegar à Comissão de Educação, o projeto foi aprovado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), quando a então relatora, senadora Lúcia Vânia (PSB-GO), chamou atenção para o curto período de carreira dos atletas, em comparação à maioria das atividades. Para ela, essa seria mais uma razão para se estruturar melhor a psicologia do esporte no Brasil, prestando assistência profissional em casos como os de transição de carreira, por exemplo.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)