Familiares de vítimas dos protestos culpam líderes da oposição por acirramento da violência na Venezuela
glauciene | 25/06/2015, 15h12
Integrantes do Comitê de Familiares das Vítimas das Guarimbas — as barricadas montadas durante as manifestações ocorridas na Venezuela em 2014 — contaram suas impressões e experiências com a onda de violência que se vê no país à delegação brasileira de senadores que está em Caracas, nesta quinta-feira (25). Pais e companheiros das vítimas mortas nos protestos, como a Tenente Velásquez, da Guarda Nacional da Venezuela — que perdeu o marido e criticou a suposta “manifestação pacífica” num relato emocionado — atribuem as reivindicações violentas a líderes da oposição, como Leopoldo López, e pedem que eles sejam responsabilizados.
Os protestos na Venezuela iniciaram-se em fevereiro do ano passado, contra o governo do presidente Nicolás Maduro. Os organizadores desse movimento se dizem insatisfeitos com as supostas violações de direitos humanos, a crise econômica e os altos níveis de criminalidade. A violência de ambos os lados causou a morte de dezenas de pessoas.
— Uma coisa fica clara, depois das eleições que foram apertadíssimas, com ânimos exaltados, alguns líderes da oposição conclamaram o povo à rua para que lá ficassem até a queda do regime. Isso provocou esse processo de violência que levou à morte de 43 pessoas, inclusive de cinco estudantes que participavam diretamente das manifestações, e a violência se estabeleceu. Como disse o comitê, a violência tem que ser apurada, e a violência policial também não foi uma exceção, como em qualquer lugar do mundo — avaliou o senador Roberto Requião (PMDB-PR), após o encontro, ocorrido num hotel da capital.
Esposas
Na sede do partido Voluntad Popular, também em Caracas, ocorreu o segundo compromisso dos parlamentares, desta vez com as esposas dos líderes de oposição presos. A reunião não pode ser acompanhada na íntegra pela imprensa, a pedido das mulheres.
Lilian Tintori, esposa de Leopoldo López, fez um relato dos 30 dias de greve de fome do marido pela libertação de 75 presos políticos, pela marcação das eleições parlamentares e pelo acompanhamento da situação da Venezuela por organismos internacionais. Ela também lembrou o episódio de hostilidade com a comitiva de senadores brasileiros da oposição, na semana passada, e disse que “se alegra que desta vez a comitiva tenha conseguido entrar no país”.
A greve de fome de López e de outras 104 pessoas que o apoiavam terminou na segunda-feira (22), depois que as eleições parlamentares foram marcadas para o dia 6 de dezembro. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) informou que o Senado brasileiro formará uma comissão multipartidária para acompanhar o processo eleitoral venezuelano, mas os parlamentares não quiseram fazer mais comentários sobre o tema.
A comitiva cumprirá uma extensa agenda de compromissos durante a tarde, e deve voltar ao Brasil ainda nesta quinta-feira.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
MAIS NOTÍCIAS SOBRE: