Documentário da TV Senado sobre tortura é apresentado à CDH
SALEXAND | 25/06/2015, 11h20
Está sendo lançado na reunião de hoje (25) da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) o documentário Em busca da verdade, produzido pelos jornalistas Deraldo Goulart e Lorena Maria, da TV Senado.
O documentário, de 58 minutos de duração, estreia no próximo sábado (27) às 21h30 na TV Senado, e faz um apanhado do trabalho desenvolvido pelas Comissões da Verdade e pela subcomissão do Senado que investigaram recentemente as violações de direitos humanos cometidas pelo regime militar (1964-1985).
Foi exibido um pequeno trecho de 10 minutos durante a audiência. O trabalho foi bastante elogiado pelo senador João Capiberibe (PSB-AP), que afirmou que vai tomar a iniciativa de distribuí-lo para escolas públicas do país. O senador ainda lamentou o fato de as Forças Armadas não terem feito uma autocrítica daquele período.
— As investigações mostram que as torturas, todas as violações eram de conhecimento dos principais dirigentes do regime, inclusive dos presidentes — afirmou Capiberibe, detalhando que chegou a reunir-se com representantes das três Forças e com o ministro da Defesa para que fossem reconhecidas as conclusões da Comissão Nacional da Verdade.
Uma das diretoras do documentário, Lorena Maria, detalha que o conhecimento das violações por parte da cúpula do regime é um dos focos da produção. A obra também detalha os casos do sapateiro Epaminondas, militante do Partido Comunista Brasileiro morto sob tortura em 1971, do ex-deputado Rubens Paiva, dado como desaparecido, e do ex-militante do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro) Stuart Angel, também assassinado durante a ditadura.
Deraldo Goulart citou uma frase da presidente do Chile, Michelle Bachelet, torturada durante o regime de Augusto Pinochet em seu país, durante a década de 70.
— Ela diz que só as feridas lavadas e tratadas cicatrizam. Este foi um de nossos motes nesta produção — afirmou.
Também participa da audiência o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), que lamentou o fato de as Forças Armadas ainda tratarem o período como um tabu. Outro participante, o diplomata Andre Saboia, que colaborou com a CNV, acredita que "enquanto as FAs não reconhecerem o que aconteceu, esse passado não vai passar".
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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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