Renan propõe a Levy independência do Banco Central

Guilherme Oliveira e Isabela Vilar | 30/03/2015, 21h06 - ATUALIZADO EM 30/03/2015, 21h17

O presidente do Senado, Renan Calheiros, e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, conversaram sobre a instituição da independência do Banco Central na reunião que tiveram nesta segunda-feira (30). Levy entende que a discussão é importante e Renan antecipou que o assunto deve entrar na pauta do Senado.

Segundo o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que também participou da reunião, Renan propôs a medida e ela faz parte das negociações frequentes que o Executivo e o Congresso vêm conduzindo.

— A independência do Banco Central foi levantada pelo presidente Renan e será um tema tratado pelo Senado nos próximos dias. Isso também está na mesa de discussão com o governo — relatou.

Para Jucá, a independência do Banco Central é um passo importante para assegurar a estabilidade econômica do país. O senador entende que o assunto foi prejudicado durante a campanha eleitoral, mas pode avançar se for debatido com serenidade.

— Se queremos políticas monetária e fiscal eficazes, instrumentos que façam efetivamente o controle monetário e façam com que o país tenha estabilidade, um dos caminhos é o mandato da direção do BC não coincidente com o de presidente da República. Estamos fazendo a discussão fora do ambiente político eleitoral, portanto sem as contaminações que ocorreram durante a campanha — argumentou.

Crescimento econômico

A conversa entre os senadores e o ministro também abordou a questão da retomada do crescimento econômico no contexto do ajuste fiscal. Levy falará sobre o tema na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) nesta terça-feira (31).

Renan disse que há preocupações em relação aos rumos do processo de correção econômica.

— Disse ao ministro que estamos preocupados com a qualidade do ajuste. Não é apenas com o quanto ele significará, mas como será — disse o presidente.

Levy ponderou que o ajuste fiscal é um passo que precisa ser tomado, mas que a equipe econômica também está focada em promover a recuperação do país em um segundo momento.

— Hoje a gente tem que vencer essa etapa para já criar as bases para a retomada do crescimento e do emprego. Eu acho que há cada vez mais convergência nesse entendimento — disse o ministro.

Jucá cobrou a retomada com “seriedade e rapidez” e manifestou a necessidade de a modulação do ajuste ser discutida com o Congresso e a sociedade. Nas palavras do senador, “não adianta matar o doente”.

— Temos que fazer cortes que o país aguente. Só cortar e ajustar não resolve o problema. Tenho cobrado que o governo apresente um plano de animação econômica. O que resolve é o crescimento, o incentivo, a segurança jurídica, a confiança no governo, a previsibilidade da economia — afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)