CPI quebra sigilos bancário, fiscal e telefônico de Waldomiro Diniz

Da Redação | 13/07/2005, 00h00

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos aprovou nesta quarta-feira (13) a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Waldomiro Diniz, ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil e ex-presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). Diniz aparece em vídeo divulgado no início de 2004 negociando propina com o empresário do setor de jogos Carlos Augusto Ramos, mais conhecido como Carlinhos Cachoeira. O requerimento de quebra dos sigilos foi apresentado pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR).

O primeiro depoimento tomado pela CPI, instalada em 29 de junho, foi justamente o de Cachoeira, nesta quarta-feira. O empresário afirmou que Waldomiro Diniz cobrava propinas que variavam entre R$ 100 mil e R$ 200 mil. No vídeo divulgado no ano passado - que teria sido filmado em 2002, quando Diniz ainda era presidente da Loterj - ele estaria negociando com Cachoeira o direcionamento das licitações da estatal.

Cachoeira disse que nunca cedeu às tentativas de extorsão, e que estas cessaram depois que Diniz se tornou subchefe da Casa Civil, sob o comando do ex-ministro José Dirceu.

O empresário confirmou, ainda, o encontro que ele e Diniz tiveram no início de 2003 com representantes da empresa GTech, que operava os sistemas de loteria da Caixa Econômica Federal. A reunião teria ocorrido, segundo Cachoeira, a pedido de Diniz. Uma das acusações contra o ex-subchefe da Casa Civil é que ele teria intermediado negociações para a renovação do contrato entre a GTech e a Caixa.

Após o depoimento, o senador Magno Malta (PL-ES) disse considerar estranhas as declarações de Cachoeira segundo as quais, mesmo após ter negado a se pagar propina para Waldomiro Diniz, os dois teriam conversado por telefone novamente "apenas para tratar de amenidades".

José Dirceu

Questionado por jornalistas se o objetivo da CPI dos Bingos era "chegar a José Dirceu", o presidente da comissão, senador Efraim Morais (PFL-PG), respondeu negativamente. Ele frisou que a comissão visa apurar as acusações de lavagem de dinheiro por parte das casas de bingos, seu envolvimento com o crime organizado e os fatos relativos ao vídeo em que aparecem Cachoeira e Diniz.

Mas o senador Alvaro Dias ressaltou que "Waldomiro Diniz trabalhava no 4º andar do Palácio do Planalto, ao lado do então ministro José Dirceu, de quem cumpria ordens, especialmente no que diz respeito à relação com o Congresso Nacional".

- Se investigarmos o Waldomiro e não convocarmos José Dirceu, não chegaremos aonde devemos chegar: ao grande esquema arquitetado por algumas pessoas da cúpula PT e também do governo. As CPIs agora instaladas estão ligadas, porque na verdade houve um esquema de corrupção no governo federal que envolveu o Congresso - declarou Alvaro Dias.

Próximo depoimento: Vicente Brizola

A CPI dos Bingos marcou uma nova audiência para a próxima terça-feira (19), quando deverá ser ouvido o depoimento de José Vicente Brizola, ex-diretor da Loteria do Estado do Rio Grande do Sul (Lotergs). Brizola teria dito à revista Veja, em 2004, que, quando trabalhava na estatal, fora pressionado a obter recursos para campanhas eleitorais do PT com donos de bingos.

Já Carlinhos Cachoeira deverá ser novamente convocado pela comissão, conforme destacou seu presidente, Efraim Morais. O senador afirmou que o depoimento do empresário "apresentou várias contradições". Além disso, Efraim afirmou que a CPI fará a acareação entre Cachoeira e Waldomiro Diniz.

Cachoeira acusa Waldomiro Diniz de tentativa de extorsão

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)