Ex-diretor dos Correios é acusado de corrupção e falso testemunho

Da Redação | 12/07/2005, 00h00

O senador Delcidio Amaral (PT-MS) afirmou que na noite desta terça-feira (12) a CPI dos Correios viveu seu momento mais tenso, desde o início dos trabalhos. Ao final do depoimento do ex-diretor de Tecnologia da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), Eduardo Medeiros, uma intervenção do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) quase provocou a prisão do depoente.

Suplicy fez uma denúncia de corrupção envolvendo o ex-diretor e a empresa Gadotti Martins Carrinhos Industriais. Ao ser questionado pelo senador se conhecia Vilmar Martins, representante da metalúrgica, Medeiros negou. Minutos depois, admitiu ter falado com o empresário há três dias, o que fez com que vários parlamentares exigissem providências da direção da comissão, já que o depoente, na condição de testemunha, não poderia mentir.

O senador Suplicy disse que foi procurado por Vilmar Martins, que lhe contou que, em 1992, a Gadotti venceu uma licitação para o fornecimento de 901 carrinhos para a ECT. Quando seus funcionários foram entregar os produtos em uma delegacia regional de Belo Horizonte, o gerente do estabelecimento lhes teria informado que só receberia os carrinhos mediante o pagamento, à vista, de 20% do valor da nota fiscal em dólares. Desse total, teria informado o gerente, 10% ficariam com ele, enquanto que o restante iria para Eduardo Medeiros, que, na época, exercia o cargo de superintendente na estatal.

Vilmar teria informado ainda que os Correios devem dinheiro à Gadotti, cerca de R$ 700 mil, devido a atrasos de pagamento e correção monetária. Na referida ligação em que teria conversado com Medeiros, o ex-diretor teria oferecido a Vilmar o pagamento dessa dívida em troca do silêncio do empresário.

A CPI chegou a suspender os trabalhos por alguns minutos para debater o assunto. Ao final da discussão, o relator, Osmar Serraglio (PMDB-PR), comunicou  aos presentes que o caso seria remetido ao Ministério Público.

- Fazemos juízo político, não criminal - observou ele.

Apesar da tensão, Delcidio disse acreditar que a CPI demonstrou maturidade.

- Mais uma vez, a CPI cresce em responsabilidade, equilíbrio e participação de todos os parlamentares. Poderíamos ter feito um espetáculo de pirotecnia aqui e desgastar a nossa imagem, mas avançamos muito, e tenho orgulho disso - comentou.

Confira os pontos mais importantes do depoimento de Eduardo Medeiros:

Indicação - Apesar de ter sido apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como apadrinhado político do ex-secretário geral do PT, Sílvio Pereira, Medeiros afirmou reiteradas vezes que sua indicação para a diretoria de Tecnologia foi estritamente técnica. Disse não ter contato com Sílvio e afirmou ter conversado com ele uma única vez. O ex-secretário também não teria interferido na formação de sua equipe, nem teria lhe solicitado que favorecesse determinadas empresas em processos de licitação.

Licitações - Eduardo Medeiros foi questionado por parlamentares sobre a compra, sem licitação, de 500 impressoras, no ano passado. Segundo o ex-diretor, a licitação foi dispensada por se tratar de uma emergência, e a empresa fornecedora teria sido a Seal, e não a HHP, supostamente ligada ao PT, como havia informado o ex-chefe do departamento de Contratação e Administração de Materiais, Maurício Marinho, flagrado em vídeo recebendo propina. Para Medeiros, a dispensa de licitação, nesse caso, não prejudicou os Correios.

Novadata - Eduardo Medeiros negou que a empresa Novadata, do amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Mauro Dutra, tenha sido favorecida em processos de licitação na ECT. A Novadata fornece kits de equipamentos para o Banco Postal. O deputado Roberto Jefferson alegou que existiriam irregularidades nos contratos dos Correios com essa empresa.

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