Osório defende contrato com agência de Marcos Valério

Da Redação | 12/07/2005, 00h00

O ex-diretor de Administração dos Correios, Antonio Osório Batista, no depoimento que prestou à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos Correios nesta terça-feira (12), disse que assinou o termo aditivo reajustando em 25% o valor de contrato firmado por licitação com a agência SMP&B porque esse termo havia passado pelo crivo do departamento jurídico. Em resposta ao senador Alvaro Dias (PSDB-PR), Osório afirmou que sequer sabia quem era Marcos Valério, o dono da agência, acusado de pagar o "mensalão" a deputados federais.

- Chegou na minha mão, eu assinei - disse.

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Há excesso de aditivos e de prorrogação de contratos, o implica favorecimento a Marcos Valério, e isso não é ético, afronta a dignidade - rebateu o senador.

Ao senador Demostenes Torres (PFL-GO), Osório negou ter tido contato com os "arapongas" que fizeram a gravação que incrimina Marinho. Respondendo ao senador Romeu Tuma (PFL-SP), Osório disse que Marinho não tinha qualquer poder junto a Roberto Jefferson, diferentemente do que o ex-chefe de departamento afirmou na gravação. Disse ainda não acreditar que tenham saído recursos dos Correios para pagamento do "mensalão", respondendo a Sibá Machado (PT-AC).

Para a Heloísa Helena (PSOL-AL), havia uma guerra de "gangues partidárias" na disputa pelas diretorias dos Correios, envolvendo o PT, o PMDB e o PTB nas. Ela solicitou a entrega das atas das reuniões de diretoria dos Correios à CPI, acreditando que nelas a Comissão verá claramente "os desvios de bilhões de reais" que ocorreram nos Correios nos últimos anos.

O depoimento de Osório foi iniciado no último dia 30, mas interrompido para que os parlamentares ouvissem o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). O diretor foi o responsável pela nomeação de Maurício Marinho, de quem era o superior imediato. Na primeira parte do depoimento, Osório reconheceu ter sido indicado para a diretoria dos Correios pelo falecido deputado José Carlos Martinez, em nome do PTB.

Em questão de ordem, o senador Sibá Machado (PT-AC) garantiu que, até a próxima quarta-feira (13), à tarde, entregará à presidência da CPI os documentos originais que habilitarão a Comissão a quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico do ex-ministro José Dirceu e dos ex-dirigentes do PT, José Genoino, Delúbio Soares e Silvio Pereira. Na quinta-feira passada, Sibá apresentou essas autorizações dos dirigentes, mas em forma de fax, que não configura o caráter oficial necessário para ser documento hábil para quebra de sigilos.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)