CCJ acaba com audiência automática de retratação na Lei Maria da Penha
O juiz não vai poder mais marcar a audiência de retratação prevista na Lei Maria da Penha sem o pedido da vítima. É o que diz projeto de lei (PL 3112/2023) aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça que seguiu com pedido de urgência para o Plenário. Se aprovado, vai à sanção presidencial. A relatora, senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), explicou que esse tipo de procedimento costuma ser marcado automaticamente, gerando pressão sobre a vítima.

Transcrição
A audiência de retratação prevista na Lei Maria da Penha em que a vítima decide se retira ou não a denúncia só poderá ocorrer se a própria mulher pedir expressamente.
Os senadores aprovaram projeto de lei para evitar que esse tipo de procedimento, que costuma ser marcado automaticamente, gere pressão sobre a vítima, como destacou a senadora Mara Gabrilli, do PSD de São Paulo.
(senadora Mara Gabrilli) "A exigência de manifestação expressa da vítima para a realização da audiência de retratação, e a condição de que esta manifestação ocorra antes do recebimento da denúncia, previne possíveis pressões ou coações, evita a revitimização e reforça a adoção de práticas judiciais mais alinhadas à perspectiva de gênero".
O Supremo Tribunal Federal já reconheceu a inconstitucionalidade da designação de ofício da audiência de retratação e da interpretação de que a ausência da vítima de violência doméstica configuraria retratação ou renúncia tácita ao direito de representação.
Se aprovado pelo Plenário, o projeto vai à sanção presidencial. Da Rádio Senado, Bruno Lourenço.

