Entidades patronais defendem debate aprofundado da redução da jornada de trabalho
Os representantes de entidades patronais entregaram a lideranças partidárias no Senado, nesta terça-feira (3) um manifesto em que defendem que as discussões sobre a redução da jornada de trabalho levem em conta aspectos como competitividade e produtividade. Mas o senador Rogério Carvalho (PT-SE) afirma que as proposições em análise no Congresso Nacional vão aumentar o número de trabalhadores formais, com impacto positivo na renda e no consumo (PEC 148/2015).

Transcrição
Representantes de entidades patronais entregaram a lideranças partidárias um manifesto por meio do qual defendem que aspectos como competitividade e produtividade sejam levados em conta nas discussões dos projetos que reduzem a jornada de trabalho no país.
As entidades alegam que não se trata de opor qualidade de vida e atividade econômica. Para os diversos setores da economia, é preciso conciliar redução da jornada com ganhos de produtividade, para que preços e renda sejam preservados. Se isso não acontecer, os representantes das entidades alertam que haverá aumento de custos e uma possível redução de contratações.
Ao defender um debate mais aprofundado do tema e criticar que o assunto esteja sendo discutido em ano eleitoral, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, acredita que a escala de trabalho, por meio da qual se define quantos dias semanais de trabalho e de descanso o trabalhador deve ter, precisa levar em conta os interesses não somente dos trabalhadores, mas também a necessidade de cada setor da economia.
Em relação à jornada de trabalho, ele afirmou que a Constituição já estabelece um teto de 44 horas, que, na realidade, está acima da média de trabalho semanal do brasileiro, que é de 38 horas. Para Paulo Skaf, o que precisa ser discutido nesse momento é outro assunto.
Nós temos em torno de 45 milhões de pessoas com carteira assinada, mas temos mais 44 milhões aproximadamente que estão no trabalho informal e nos bicos. Então ao invés de nós mexermos daquilo que já está regrado, que já está em ordem, nós temos que nos concentrar em combater a informalidade para dar segurança ao trabalhador.
Ao informar que, paralelamente aos debates que já acontecem na Câmara dos Deputados, o Senado vai iniciar a discussão do assunto, o senador Rogério Carvalho, do PT de Sergipe, afirmou que a redução da jornada de trabalho semanal é importante para a saúde do trabalhador e o seu convívio familiar.
Eles dizem que vai aumentar em 22% o custo do trabalho e que isso não tem como compensar. Isso é uma fala do setor patronal. Eu acho que isso vai ser relativizado, até porque na medida em que você reduz a jornada, aumenta o número de trabalhadores, aumenta a renda, aumenta a demanda, aumenta o consumo.
Uma proposta de emenda à Constituição em análise no Senado reduz a jornada semanal de 44 para 36 horas, com dois dias de descanso, preferencialmente aos sábados e domingos. Da Rádio Senado, Alexandre Campos.

