Cunha, em São Paulo, passa a ser a Capital Nacional da Cerâmica de Alta Temperatura

Da Agência Senado | 02/06/2022, 11h48

Foi sancionada na quarta-feira (1º) a Lei 14.343, que confere o título de Capital Nacional da Cerâmica de Alta Temperatura à cidade de Cunha (SP). Localizada na Serra da Bocaina, na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro, Cunha realiza anualmente, desde 2005, o Festival de Cerâmica. A cidade tem 21,5 mil habitantes. 

A lei teve origem no PL 7.772/2017, da ex-deputada federal Pollyana Gama (SP). Quando chegou ao Senado, a proposita tramitou como PLC 65/2018 e teve relatoria da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA).

De acordo com o parecer aprovado pela  Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), a produção de cerâmica de alta temperatura na cidade teve início nos anos 1970, mas a prática já fazia parte da história de Cunha desde antes. "A produção ceramista é parte indissociável da vida do município de Cunha, estando presente na região desde os tempos da ocupação pelos índios tamoios, tendo passado também pela atividade das 'paneleiras', que produziam utensílios com técnica rudimentar, queimadas em 'forno de barranco'", informou Eliziane em seu relatório.

Segundo a secretaria de Cultura de São Paulo, em 1975, o Ateliê do Antigo Matadouro foi instalado no município, o que deu início a um dos mais importantes polos ceramistas do Brasil. O grupo foi pioneiro na produção de cerâmicas com o uso do forno Noborigama — linhagem de fornos chineses que foram refinados no Japão. Alimentados à lenha, a temperatura interna dessas fornalhas podem atingir patamares superiores a 1.400 °C. A partir da década de 1990, outros ateliês de cerâmica de alta temperatura foram instalados na cidade, o que aumentou a relevância econômica do município.

Por Mateus Souza, sob supervisão de Sheyla Assunção

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)