Oposição acrescenta denúncias de suplente ao pedido de cassação de Flávio Bolsonaro

Da Redação | 19/05/2020, 18h38

O Conselho de Ética do Senado recebeu nesta terça-feira (19) um aditamento ao pedido de cassação do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que tramita desde fevereiro (PCE 1/2020). O documento cita denúncias feitas pelo primeiro suplente do senador, Paulo Marinho (PSDB-RJ).

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Marinho relatou que Flávio Bolsonaro teria sido informado com antecedência sobre o deflagramento da operação Furna da Onça, da Polícia Federal, que investiga denúncias de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O fato teria ocorrido durante a campanha eleitoral de 2018, quando Flávio Bolsonaro já era senador eleito, mas ainda detinha mandato de deputado estadual.

A informação teria partido de um delegado da PF simpatizante do então candidato a presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, que naquele momento disputava o segundo turno das eleições. O delegado teria informado, ainda, que a operação seria postergada para não prejudicar a campanha de Jair Bolsonaro.

Segundo Marinho, o delegado teria adiantado que a investigação atingiria Fabrício Queiroz, assessor de Flávio Bolsonaro na Alerj apontado como responsável pela “rachadinha” — que consiste no repasse de parte do salário dos funcionários do gabinete para o parlamentar. Ainda segundo Marinho, ao ter conhecimento da operação, Flávio Bolsonaro demitiu Queiroz.

O aditamento foi apresentado pelos presidentes dos partidos de oposição que assinam o pedido de cassação: PT, PSOL e Rede. Eles argumentam que a demissão de Queiroz foi uma maneira de atrapalhar as investigações das denúncias na Alerj.

“Está cada vez mais evidente que a família Bolsonaro visa intervir para obstruir o trabalho dos órgãos do sistema de justiça, em investigações que estejam em curso no estado do Rio de Janeiro ou outros que possam afetar interesses seu, de sua família ou de aliados.

A denúncia original acusa o senador Flávio Bolsonaro de lavagem de dinheiro, corrupção e associação com milícias. Apresentada no dia 19 de fevereiro, ela ainda aguarda um parecer da Advocacia-Geral do Senado, solicitado pelo presidente do Conselho de Ética, senador Jayme Campos (DEM-MT). O prazo para aceitação ou arquivamento da denúncia era de cinco dias úteis. O aditamento não afeta o curso do processo, apenas acrescenta a ele fatos que a acusação entende serem relevantes.

A assessoria do senador Flávio Bolsonaro não comentou o aditamento até o fechamento desta reportagem.

Após a denúncia, o senador publicou nota dizendo sentir pena de Marinho, "um homem que preferiu virar as costas a quem lhe estendeu a mão" e disse ainda que o empresário trocou a família Bolsonaro pelo governador de São Paulo, João Dória, e pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, por ambição. 

"É fácil entender esse tipo de ataque ao lembrar que ele, Paulo Marinho, tem interesse em me prejudicar, já que seria meu substituto no Senado. Ele sabe que jamais teria condições de ganhar nas urnas e tenta no tapetão. E por que somente agora inventa isso, às vésperas das eleições municipais em que ele se coloca como pré-candidato do PSDB à Prefeitura do Rio, e não à época em que ele diz terem acontecido os fatos, dois anos atrás?", afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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